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quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

Fantomius o ladrão de casaca parte 7

Notre Dame


Publicada em Topolino 3210 de 31 de maio de 2017, nós a lemos em português em Tio Patinhas 628, de outubro de 2017. Em uma noite chuvosa três garotos de bicicleta se abrigam na Catedral de Notre Dame (Notre Duck originalmente), enquanto discutem a aparição de um misterioso fantasma no local. A música do órgão da catedral antecede a aparição de uma misteriosa figura negra, e os três resolvem fugir.


O visual dos garotos combina perfeitamente com os de outros três personagens de uma série de enorme sucesso, cuja terceira temporada está sendo ansiosamente aguardada...


Em Vila Rosa, John Quackett e Dolly Pata discutem como a imprensa tem atribuído certos roubos acontecidos ultimamente a Fantomius, sem que ele fosse o responsável pelos golpes. Na também chuvosa noite seguinte Fantomius e Dolly Páprika invadem o Museu de Patópolis atrás de uma preciosa safira, porém nosso Ladrão de Casaca se depara com a cúpula da gema aberta, e esta nas mãos de uma figura de negro. Em outra excelente referência introduzida por Marco Gervasio, reparem nos quadros expostos nas paredes!

O ladrão escapa quebrando a janela, o que dispara os alarmes e alerta a política. Fantomius e Dolly não conseguem encontrá-lo, e precisam escapar dos homens da lei no processo. Pouco depois o fantasma misterioso chega ao porto e faz uma entrega ao capitão de um dos navios ali estacionado.

Na manhã seguinte, enquanto Dolly e John tomam café, Copérnico surge com um bilhete deixado em seu laboratório, dizendo para Fantomius se afastar do caso. Ou seja, o tal fantasma conhece as passagens secretas de Vila Rosa, e sabe que o aristocrata é o famoso Ladrão de Casaca. Na parede diante da mesa do inventor, por sinal, é possível ver o projeto de um veículo que constitui uma referência ao que vai acontecer em uma história posterior... aguardem a parte 8, com histórias ainda inéditas no Brasil!

De volta ao museu na noite seguinte nossos heróis descobrem que o meliante se aproveita da rede de velhos esgotos da cidade para se locomover sem ser visto. As pistas apontam para a Catedral de Notre Dame, que por sinal foi projetada pelo irmão de John, Henry Quackett. Fantomius lembra que o irmão lhe contou sobre uma passagem secreta sob a fonte. Seguindo o túnel oculto, nosso herói descobre o covil do ladrão misterioso. A figura de negro aparece nesse momento, e tem início uma perseguição.

Várias passagens e escadarias para cima e para baixo depois, o personagem misterioso é encurralado por Dolly. E surpresa, revela-se como Henry, o irmão de John! Ele revela que a cidade subterrânea sofreu um desmoronamento, e para conseguir os recursos para reconstruir Atlântida Henry e alguns dos atlantes vieram a Patópolis, mantendo tudo em segredo por exigência de Antinea, a rainha da cidade. John então promete ajudar o irmão com a demanda.

Sem Máscara


Aventura publicada em Tio Patinhas 633 de março de 2018, depois de sair na Topolino 3225, de 13 de setembro de 2017. Vale destacar que este número de Tio Patinhas é importante também por trazer o final da saga Todos os Milhões!


Na história, Dolly recebe Adelaide, esposa do Comissário Pinko, em Vila Rosa, dizendo que John está resfriado e de cama. Contudo, nosso herói se encontra em Ocalulu, ilha situada a quatro horas de barco de Patópolis, personificando o Conde Extrarriko, um contrabandista de diamantes. Ele se encontra com o contato do conde e recebe a valise com os diamantes, mas tudo é um estratagema da polícia local. John sabe que se prenderem depois o verdadeiro Extrarriko ele estará em apuros, e decide fugir pulando no mar.

Nosso herói chega incógnito à praia, mas somente em trajes de banho e sem dinheiro ou recursos, o que fazer? Com um prosaico grampo encontrado na praia abre uma cabine e encontra roupas e dinheiro, disfarçando-se. Depois encara uma gangue de motociclistas a fim de obter um transporte rápido. Como sempre Marco Gervasio capricha nos detalhes, no caso da moto roubada por John.


Esta é uma Harley Duckson, evidente homenagem à Harley Davidson, e parece inspirada no modelo 20F do fabricante norte-americano, sendo que encontramos uma foto de um exemplar 1920 para comparar.


Nisso o verdadeiro Extrarriko já está com a polícia de Ocalulu, e o inspetor local deduz que Fantomius está envolvido. Naturalmente Pinko é chamado, e afirma que desta vez o Ladrão de Casaca está acuado como um rato na ratoeira.

Nosso herói está “tão” estressado que se permite tomar um suco em um restaurante a beira-mar. E outra excelente referência é o suco de ananás e papaia batido e não mexido degustado por ele!

John consegue uma fantasia de Fantomius em uma loja local, junto a uma peruca loira e outro traje. Assim chega ao porto e se mostra para os guardas presentes, e o comissário local ordena que todas as suas forças cerquem o Ladrão de Casaca. Aí vemos o outro traje comprado por nosso herói, de marinheiro! Adivinhem com quem ele ficou muito parecido?


John sai correndo do navio e diz aos policiais que Fantomius está a bordo. Depois vai até a sede da polícia e provoca confusão dizendo que o famoso ladrão cavalheiro se disfarçou de policial e entrou no prédio. Aproveita a bagunça para sair tranquilamente com a valise de diamantes.

O toque final é fugir com a lancha da polícia utilizada por Pinko. Além disso, deixou a moto parada em local proibido, rendendo uma bela multa aos membros da gangue que o perseguiam. Pinko ainda ordena que a guarda costeira intercepte a lancha, mas nosso herói é resgatado por sua amada Dolly em mais uma invenção do genial Copérnico, uma moto aquática.

Uma sensacional aventura de Fantomius, onde o Ladrão de Casaca derrotou toda a força policial quase sem recursos, somente com sua inteligência e astúcia!

O Desafio de Fantomius


Esta história foi publicada primeiro em Topolino 3237 de 6 de dezembro de 2017, e a tivemos aqui em Tio Patinhas 634 de abril de 2018. Para os fãs de aventuras policiais é um prato cheio, pois Marco Gervasio a recheou de diversas referências ao gênero. Entre elas:

No estúdio de Hercule Patorot vemos um quadro na parede onde está escrito Styles Court, evocando O Misterioso Caso de Styles, primeiro livro de Agatha Christie e primeira aventura de Hercule Poirot. Podemos ver ainda um livro que traz na capa Os 12 Trabalhos de Hercule, outra obra de sucesso da Dama do Crime.


Nick Parter é a versão pato de Nick Carter, detetive criado por Ormond G. Smith e John R. Coryell e protagonista de várias histórias a partir de 1886, principalmente nas revistas pulp do começo do século XX. Na mesa se pode ver um livro de Stanislau Patinsky.

Jane Purple é uma homenagem a Miss Marple, também personagem de Agatha Christie, e se pode ver em sua mesa o livro Briga na Casa do Pastor, referência a Assassinato na Casa do Pastor, primeiro livro com a personagem como protagonista.

Todos esses geniais combatentes do crime, mais Patock Holmes e seu fiel assistente Patson (confiram nas partes anteriores desta série) são convidados a comparecer a Patópolis e visitar a Sala do Crime no Museu de Cera de Patópolis. Também participa o Comissário Pinko, e o anfitrião que os convidou é nada menos que Fantomius. Quem os recebe é o Professor Ecks-Doublex, que vem a ser a união de uma dupla de vilões clássicos do Mickey. Por sinal outros vilões célebres podem ser conferidos, como o Dr. Toro, o Capitão Metralha, Fu Man Atchú (já comentado nesta série) e claro, Fantomius e Dolly Páprika!


No meio do debate, a estátua de Fantomius se revela o próprio Ladrão de Casaca, e com uma pose e frase idênticas as do Superpato em O Museu de Cera, clássica história publicada pela primeira vez na Topolino 788 de 1971, e aqui publicada em diversas edições, as mais recentes sendo o lindo encadernado em capa dura Os 80 Anos do Pato Donald e a Lendas Disney 1. A resenha desta, aliás, pode ser conferida no Corujice Literária.

Foi a primeira história do Superpato que li, ainda na Tio Patinhas 156, sua primeira publicação no Brasil, sim, sou fã!

Fantomius afirma que a meia-noite irá roubar um objeto de cada um dos detetives, e os desafia a impedi-lo e capturá-lo. Alguém pergunta como sabe que não o farão naquele momento, e subitamente as luzes são apagadas. Entre gritos e ruídos os detetives saem em equipes para investigar, descobrindo que o Ladrão de Casaca usa gramofones e outros equipamentos para produzir os sons e distraí-los.

Nick Parter e seus auxiliares visitam a Sala de Cinema, onde podemos conferir outros personagens que já participaram das histórias de Marco Gervasio, além de referências ainda mais famosas. Nesse meio tempo Pinko dá uma de machão para cima de Purple, mas a escritora e detetive lhe devolve uma lição. O Comissário, acompanhado de Holmes, vai até a Sala dos Monstros, onde podemos conferir algumas das mais famosas e clássicas criaturas do cinema, e retornam para a Sala do Crime sem pistas.

Com todos ali reunidos novamente o relógio anuncia a meia-noite, e Miss Purple afirma que, se o caso fosse um de seus romances, seria nesse momento que Fantomius apareceria. Pinko, ranzinza, diz que a vida não é ficção, e a escritora retruca sorrindo que a realidade é mais incrível que a ficção!


As badaladas do relógio terminam e todos parecem confiantes, mas de novo Purple anuncia que os furtos ocorreram, enumerando-os. Quando os detetives constatam o fato, a escritora se revela como Dolly Páprika disfarçada. Patorot alega que ela realizou os furtos e que Fantomius trapaceou, mas o Ladrão de Casaca se revela a seguir, disfarçado de Patson, assistente de Patock Holmes. Fantomius diz que descobriu uma passagem para um laboratório secreto sob sua estátua, e ele e Dolly fogem. Os detetives investigam a sala secreta, um laboratório onde Ecks-Doublex, com seus conhecimentos de química, produzia máscaras semelhantes àquelas usadas pelo Ladrão de Casaca.

As fotos nas paredes comprovam que o dono do museu o utilizava como fachada, a fim de abrigar criminosos que, graças às máscaras, podiam realizar seus golpes sem serem reconhecidos. Parter e seus companheiros concluem que Fantomius os auxiliou a prender Ecks-Doublex a fim de eliminar a concorrência, e Holmes sugere aos colegas para manterem entre si o desafio perdido, a fim de não arranhar suas reputações.


Após todos saírem Fantomius, imitando a pose de seu boneco de cera, dá uma gostosa gargalhada. Dias depois, na Vila Rosa, Dolly recebe um telefonema da amiga Lucrécia, que deseja lhe apresentar seu novo namorado.

Esta foi a última história de Fantomius publicada pela Abril, tornando a Tio Patinhas 634 ainda mais especial para os colecionadores. Somente mais três números sairiam antes do melancólico final das publicações Disney, para imensa tristeza dos fãs.

Felizmente a Editora Culturama anunciou que em março lançará as primeiras revistas Disney, retomando a publicação com histórias inéditas para grande alegria de todos nós. Neste link do site Planeta Gibi se pode conferir todas as informações conhecidas, e uma boa novidade é que, ao lado da numeração iniciada do zero, haverá também um número seguindo a sequência da publicação no Brasil.

É uma excelente medida, mantendo a numeração histórica da Disney em nosso país, mesmo que alguns que sempre achem defeitos em tudo (a tal “geração floco de neve” que se ofende por qualquer coisa) teimem em criticar. Por cima, é uma bela homenagem aos leitores que fizeram parte dessa história de quase 70 anos! Estamos muitos ansiosos pela chegada do mês de março!

Relembrando, as revistas que serão publicadas são Pato Donald, Mickey, Tio Patinhas, Pateta e Aventuras Disney. Esta última traz excelentes lembranças, pois grandes histórias saíram anteriormente neste título, como muitas do Superpato, sátiras a O Hobbit e a Star Wars, e até a sensacional Os Mágicos de Mickey.

Paulo Maffia já garantiu que Fantomius voltará a ser publicado em português, e Marco Gervasio foi o primeiro dos grandes artistas Disney a homenagear essa nova fase da Disney com a Culturama!


Resta somente saber em qual revista as aventuras do Ladrão de Casaca serão publicadas. Serão mantidas em Tio Patinhas, ou migrarão para Aventuras Disney? Nesse meio tempo, não deixem de conferir na próxima quarta-feira a última parte deste especial, com as três histórias ainda inéditas no Brasil!

Até a próxima!

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Fantomius o ladrão de casaca parte 2

Depois da primeira parte desta série de textos, na qual abordamos as histórias produzidas pelo quadrinista italiano Marco Gervasio que antecederam aquelas com Fantomius protagonista, agora trazemos as primeiras histórias do elegante Ladrão de Casaca. As cinco tramas de que falaremos foram publicadas de novembro de 2012 a abril de 2013 na Topolino, e aqui no Brasil reunidas no magnífico especial Superpato – O Legado, de setembro de 2013.


O caprichado especial de 308 páginas trazia ainda histórias do Superpato e textos extras, sendo o primeiro assinado por Marcelo Alencar no qual era descrita um pouco da trajetória do Superpato, além de apresentar Fantomius para o público, e detalhando como Gervásio ambientou as tramas deste nos anos 1920. O artigo ainda detalha as excelentes referências que Marco coloca na maioria de suas histórias e que apresentaremos abaixo, na análise de cada uma delas. O texto termina com um breve histórico da trajetória do alter-ego de Fantomius, Lorde John Lamont Quackett.


O Monte Rosa

Cada história do ladrão cavalheiro é precedida pelo título As Espantosas Façanhas de Fantomius – Ladrão de Casaca. Outro ponto comum é o quadro com o texto:

Sob a identidade de Lorde Quackett, nobre inepto e trapalhão, oculta-se Fantomius, famoso ladrão de casaca, cujo diário dará origem ao Superpato!


Publicada em Topolino 2972 de 13 de novembro de 2012, O Monte Rosa, como tornou-se comum nas primeiras histórias do elegante ladrão, começa com uma competição esportiva na qual Lorde Quackett comprova sua inaptidão para esse tipo de atividade. Uma evidente menção aos heróis cujas identidades secretas são o oposto a seus auter-egos heróicos, como Superman e Clark Kent, e Batman e Bruce Wayne. Em uma partida de golfe o taco de John vai parar na cabeça do Barão Gaitanamão, que naquela noite irá mostrar sua mais recente aquisição, o Monte Rosa, maior diamante do mundo. Devido ao incidente no jogo, ele diz que Quackett não está convidado, o que evidentemente não é problema para Fantomius.

Nosso ladrão preferido se disfarça de Lorde  Van Precious, amigo de Gaitanamão, com o auxílio da noiva Dolly Páprika. Van Precious iria confirmar a autenticidade do diamante, e Fantomius, interpretando o papel, diz que a gema é falsa. Quando a cúpula desta é aberta pelo eterno rival, o comissário Pinko, ele se aproveita da confusão e escapa com a pedra. Pinko o persegue, mas Dolly chega para o resgate com o carro aéreo, que tal como as máscaras de outros personagens que o casal utiliza também é uma criação do genial Copérnico Pardal.

Contudo, na Vila Rosa, o inventor e cientista descobre que o diamante é mesmo falso, e nossos heróis chegam à conclusão de que foi tudo um plano de Gaitanamão para embolsar o dinheiro do seguro e ainda ficar com a gema. Fantomius confronta o barão depois de roubar de seu cofre a pedra verdadeira e uma quantia em dinheiro pelo inconveniente. Nesse momento chega Pinko com a polícia, e a tramóia do barão é revelada. Fantomius, como sempre, escapa, não sem algum incidente causado pela memória por vezes falha de Copérnico. Nosso ladrão fica com o Monte Rosa, que entrega à eterna amada Dolly, e o dinheiro vai para os necessitados, pois Fantomius, claro, é um cavalheiro!

A Fuga de Fantomius


Em 20 de novembro de 2012 esta história foi publicada em Topolino 2973. De novo John Quackett apronta no esporte, desta vez em uma partida de polo, e ouve no rádio o comissário Pinko afirmar que, uma vez que for preso, Fantomius não sairá mais da cadeia. John aceita o desafio, e se deixa capturar em um roubo na mansão Preziosi. Ele deixa até mesmo que Pinko o desmascare, e o policial fica pasmo ao ver que o nobre conhecido como incapaz é o audaz ladrão de casaca. Na prisão Quackett se comporta como um nobre esnobe, enquanto o duque Preziosi recebe uma correspondência com uma ameaça de roubo sobre suas jóias. Junto segue o cartão de visitas de Fantomius, outro elemento já clássico das histórias.

Com o auxílio das invenções de Copérnico, Fantomius não somente escapa das barras de ferro como rouba as jóias do duque. Alertado, Pinko vai até a cadeia a tempo de ver o ladrão de casaca retornar da movimentada noite. O policial promete que ele será transferido para uma prisão mais segura. Porém, graças a um estratagema brilhante e divertido, além de mais uso de máscaras, Fantomius escapa novamente, desta vez de maneira definitiva, da cadeia, além de fazer Pinko acreditar que John Quackett não é o ladrão. O pobre Pinko, como Marco Gervasio afirmou em uma entrevista, é o estereótipo do policial trapalhão destinado a ser eternamente enganado pelo Ladrão de Casaca.

Fantomius a Bordo


Nesta trama, publicada em Topolino 2974, de 27 de novembro de 2012, descobrimos que Dolly Pata (identidade secreta de Dolly Páprika) é amiga de Adelaide, esposa do comissário Pinko, cujo primeiro nome, por sinal, é Alcmeone. Os dois casais saem em um cruzeiro a bordo de um navio, e novamente John se mostra um desastre no esporte, sendo a “vítima” da vez o pobre Pinko.

O alvo do ladrão de casaca é um precioso colar ostentado pela condessa Schnobb. Enquanto nosso herói se prepara em sua cabine, ao lado de Dolly, reparem no famoso Diário de Fantomius sobre a cama! Marco inseriu mais referências nessa história, como personagens inspirados no seriado O Barco do Amor, outro calcado em Louis Armstrong, e quadros nas paredes com cenas de Titanic e 20.000 Léguas Submarinas.

Porém, Fantomius encontra o cofre da condessa já vazio, e o mistério é debatido por todo o navio. Na noite seguinte o ladrão cavalheiro descobre a localização do colar e a identidade do verdadeiro culpado, e fica com a jóia. Em sua fuga encenada repare no casal que está na proa do navio, mais uma referência cinematográfica. De novo Fantomius derrota Pinko em uma trama muito bem humorada.

Brutfagor


John  e Dolly visitam Paris nesta trama, publicada em Topolino 2975, de 04 de dezembro de 2012. O pato joga tênis com Patoste, “versão pato” de René Lacoste, francês criador da grife de roupas esportivas, com os resultados de sempre. Em uma feira nas ruas da cidade a atenção do casal é voltada para o Louvre, e depois eles visitam um antiquário vizinho ao museu mundialmente famoso.

É ali que conhecem Hercule Patorot, o famoso detetive francês (quer dizer, belga!), inspirado no grande Hercule Poirot da Dama do Crime, Agatha Christie. Patorot também está interessado no misterioso fantasma do Louvre, onde Fantomius e Dolly entram naquela noite. E de fato eles topam com uma figura misteriosa, fazendo descobertas que os aproximam da resolução do mistério. Na noite seguinte o culpado é detido por Patorot depois de ser enganado por Fantomius, e ele e Dolly retornam para Patópolis com seu butim. No mesmo voo de dirigível está Hercule Patorot, cujo novo objetivo é capturar o Ladrão de Casaca.

Silêncio na Sala


A trama publicada na Topolino 2994, de 16 de abril de 2013, fecha brilhantemente a parte de Fantomius de Superpato – O Legado. Uma declaração de amor ao cinema, conforme disse Marco Gervasio em uma entrevista, foi inspirada pelo filme O Artista, de 2011. Como estamos em tempo de cinema mudo a trama não tem balões de diálogo, somente textos ao lado dos quadros, e começa com a exibição do filme Fantomius, estrelando Douglas Fairbarks e Gloria Squackson, e dirigido por David F. Graffit. Evidentemente todos nomes inspirados pelos personagens reais do cinema da época. Douglas e Gloria anunciam mais uma pelicula inspirada pelo ladrão de casaca, na qual ela usará a esmeralda mais preciosa do mundo. John e Dolly, na platéia, ficam evidentemente interessados.

O casal então se dirige para Pollywood e entra nos Estúdios Metro Goldwyn Pato. John toma o lugar de Fairbarks, mas tem que enfrentar Pinko após o comissário encontrar o ator dormindo. Fantomius foge com a esmeralda e é perseguido pelo policial, e eles atrapalham as gravações de vários clássicos do cinema, incluindo O Fofo e o Parco, Spatacus e Nosfepato. Porém, novamente acontece de descobrirem que a gema é falsa, e o Fantomius e Dolly vão até a mansão Squakcson, libertando Gloria e descobrindo a verdadeira culpada. Claro que levam a esmeralda. A trama se encerra com a estreia do filme Fantomius Ataca Outra Vez, mas claro, todos sabemos que Fantomius só existe o autêntico!

A magnífica Superpato – O Legado, prossegue com a clássica O Diabólico Vingador, a HQ que mostra o surgimento do maior herói de Patópolis e da Disney. O especial a apresenta sem os cortes da publicação original, com o então anti-herói enfrentando a polícia. Depois prossegue com O Castelo das Três Torres, que igualmente havia sido um esconderijo para Fantomius no passado. Depois de uma encrenca com Tio Patinhas Donald vê os segredos do Superpato ameaçados, e precisa correr para ludibriar o avarento e o primo Gastão. É bem sucedido, porém acaba preso! Nosso herói precisa utilizar muita inteligência e vários truques para salvar o dia, mas é finalmente bem sucedido e de novo aplica uma bela lição no tio pão-duro e no primo. Em O Castelo dos Segredos visitamos novamente o Castelo das Três Torres, novamente em uma trama de muitos mistérios. Histórias divertidas de somente uma página completam o especial que, conforme o site Planeta Gibi, deveria ter trazido mais uma história, O Verão na Vila Lalla.


Existem três diários de Fantomius, o encontrado pelo Donald em O Diabólico Vingador, o que nosso herói descobriu em Retorno à Vila Rosa (publicada em Disney Big 19), e o terceiro, descrito nessa história. Contudo essa trama de Marco Gervasio e Fabio Michelini, infelizmente, nunca foi publicada no Brasil. Na Itália saiu em Topolino 2437 de 2002 e Paperinik 21 de 2018 entre outras, e em Portugal em Donald 98 2º série de 2003 e Pato Donald 20 de capa dura. Na história, Donald descobre em Vila Rosa o terceiro Diário de Fantomius, no qual ele descreve Vila Lalla, seu refúgio de verão e onde, conforme algumas teorias, ficaria o esconderijo secreto do submarino do Ladrão de Casaca, do qual falaremos em breve. Quem sabe em 2019 tenhamos novidades sobre a retomada de publicações Disney no Brasil, e esse importante pedaço da história de Superpato e Fantomius possa ser recuperado.


Superpato – O Legado, se encerra com uma entrevista de Marco Gervasio para Marcelo Alencar. O italiano nasceu em 1967, dois anos antes do Superpato, e assim que leu O Diabólico Vingador quando criança ficou fascinado pela figura do misterioso Fantomius.  Quando se tornou artista de quadrinhos se propôs responder as muitas questões surgidas em sua imaginação, primeiro nas histórias de que falamos na Parte 1. Revela como o Ladrão de Casaca foi inspirado em personagens como Arsene Lupin e Robin Hood, e como O Passado sem Futuro, já descrita na Parte 1, foi fundamental para os editores da Topolino proporem a criação de uma série. Marco promete muitas histórias que depois pudemos ler, incluindo as origens de Fantomius e Dolly Páprika, e termina com um desenho especial feito para a edição brasileira!

Não poderíamos deixar de comentar ainda a feliz notícia, dada pelo site Planeta Gibi, de que o contrato para o retorno das publicações regulares Disney ao Brasil já foi assinado! Conforme a notícia, “A nova casa de Pato Donald, Mickey, Tio Patinhas e outros títulos clássicos fará o anúncio em janeiro e em grande estilo, conforme apurado”. O site promete novidades para os próximos dias, fiquem ligados!

Encerramos assim a segunda parte de nossa série de artigos sobre As Espantosas Façanhas de Fantomius. Na semana que vem mais três histórias do sensacional Ladrão de Casaca, e algumas das melhores referências inseridas nas histórias por Marco Gervasio!

Até a próxima!