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quarta-feira, 23 de julho de 2025

VÓ NENA E OS CAÇADORES: O DEMÔNIO FUNKEIRO E O PRÍNCIPE DAS TREVAS


  Tatiana caminhou pela rua, entrando no espaço da festa. Havia barracas e stands, e ela passeou por ali enquanto aguardava Daniel, que fora estacionar o Fusca.

— Gata, que pernas, você é linda!

Um cara em um grupo de rapazes fez o comentário. Tati, que vestia camiseta branca, short preto e jaqueta de couro, continuou a andar, fez um giro no corpo e respondeu:

— Sei disso, são firmes e de pele sedosa. Mas são só para meu amor!

O grupo lançou assobios no ar, zoando com o engraçadinho que fizera o comentário. A vidente sorriu e continuou andando, cumprimentou conhecidos aqui e ali, e então alguém a enlaçou pela cintura.



— Demorei?

Ela se virou e abraçou Daniel. Ele correspondeu, agarrando a namorada junto a seu corpo, e se beijaram. Depois Tati conferiu a roupa dele, calça jeans, camiseta branca e jaqueta de couro, e com expressão de aprovação disse:

— Você está tão lindo!

— E você é sempre linda — cochichando ao ouvido dela, acrescentou: — E gostosa!

Depois de mais um beijo continuaram a andar. Passava das sete da noite e estavam com fome, então se dirigiram ao setor de comidas típicas. A feira se estendia por três quarteirões, e estavam no começo do segundo quando viram adolescentes correndo na direção da rua lateral.

No final da via principal onde estavam fora montado um palco onde bandas de vários estilos e gêneros se apresentavam. Mas da transversal vinha um som de batidas que fez Tati exibir uma expressão preocupada.

— Tem alguma coisa lá...

Eles trocaram um olhar. Daniel reparou em mais jovens que corriam naquela direção, e disse:

— Não tinha nada previsto por ali. Damos uma olhada?



A namorada fez que sim, e de mãos dadas eles seguiram pela rua menor. Logo o som de batidas se tornou mais nítido, e um arremedo de letra foi entendido:


Vem chuchuca

Vem comigo dançar

Vem requebrar

Que eu quero te pegar.


— Horrível! — comentou Daniel. — Lembro da vez que aqueles funkeiros invadiram a rua do José, e ele chamou a turma dos lobisomens. Puseram todo mundo pra correr!

Tati não respondeu. Havia levado a outra mão à cabeça, e quando olhou para Dan sua expressão era aflita.

— Amor, tem alguma coisa muito ruim lá.

Apressaram o passo, chegaram à esquina e viraram à esquerda. Então viram.

Dezenas de jovens dançavam e gritavam diante de um furgão. Neste fora montado um sistema de som, e diante dele, microfone na mão, um sujeito recitava a letra:


Eu sou o máximo

Ninguém pode comigo

Não tem puliça nem Caçador

Que comigo não trema

Vem vagabunda rebola assim

Vou te pegar e usar como quiser

Vem curtir bem assim.


— Mesmo sem o barulho infernal esse sujeito merecia uma surra só por assassinar o idioma desse jeito — Daniel começara a ficar zangado.

Tatiana firmou o olhar, e deixou que sua vidência vasculhasse a cena. A garota sentiu um fluxo avassalador de horror que quase foi demais para sua mente. Apertou a mão do amado enquanto entendia o que estava acontecendo, e então finalmente disse:

— Não é um sujeito. Eu te mostro.

Ergueu a mão de Daniel, ao mesmo tempo em que transmitiu a ele suas impressões.

O funkeiro, que estava sozinho, era magro, mas de músculos salientes, usava cabelos longos, ondulados e desgrenhados, boné virado para trás, largas correntes ao pescoço, camiseta regata e calças jeans puídas. Fazia gestos e dançava da forma típica dos apreciadores daquele gênero, e a multidão crescente que o acompanhava vibrava e urrava, o acompanhando no canto.

Então Daniel viu. A pele do sujeito era de um vermelho bem escuro, e da testa logo abaixo do boné saíam chifres negros.

— Está de brincadeira! A porra de um demônio!? E mencionou Caçadores ainda por cima!

— O que vamos fazer? — perguntou Tati. — Não podemos passar no meio desse pessoal com armas na mão. Fora que tiros de balas de prata vão causar pânico, mesmo que talvez machuquem esse cretino.

— Precisamos do Fusca aqui, em primeiro lugar — disse Daniel.



Enfiou a mão no bolso da calça, segurou a chave do carro assombrado e mentalmente fez o chamado.

O barulho ensurdecedor continuava. Moradores das redondezas saíam das casas, mas demonstravam um evidente receio de ir reclamar. A multidão, que já deveria ter uma centena de jovens e adolescentes, berrava cada vez mais, parecendo em transe.

Uma e outra pessoa veio ter com o casal, mas eles não puderam dar qualquer resposta. Uma mulher disse que ligaria para a polícia e voltou para casa, situada no outro quarteirão.

Daniel já pensava que o Fusca Azul demorava demais, quando finalmente escutou o barulho do motor refrigerado a ar. O carro surgiu da outra rua e veio se aproximando, mas não parou perto deles, seguindo adiante.

— Ei! — disse o jovem Caçador.

A moça se virou para ele e acrescentou:

— Tinha alguém no lugar do motorista?

As duas portas do veículo abriram, e um solo de guitarra poderoso se fez ouvir, logo acompanhado de uma feroz bateria.

O ritmo harmonioso cresceu, sobrepujando o barulho do funkeiro. Então Tatiana e Daniel ouviram:


Crazy, but that's how it goes

Millions of people living as foes

Maybe it's not too late

To learn how to love

And forget how to hate.



Então uma pessoa saiu do Fusca, que parara a alguns metros do furgão, e com agilidade subiu em sua capota. O carro abrira alas entre a plateia do funkeiro enquanto muitas daquelas pessoas observavam, atônitas.



E o homem de preto, de cabelos longos e escuros, continuou cantando:


Mental wounds not healing

Life's a bitter shame

I'm going off the rails on a crazy train

I'm going off the rails on a crazy train.


O encantamento do demônio, então, começou a fraquejar, e as pessoas passaram a vê-lo como realmente era. Algumas gritaram e fugiram correndo, mas a maioria simplesmente se virou para o recém chegado. A música, então, foi trocada, e ele cantou:


Finished with my woman

'Cause she couldn't help me with my mind

People think I'm insane

Because I am frowning all the time.


— Não acredito! — exclamou Tati.

— Ozzy! — completou Dan.

Os Caçadores se aproximaram. Percorreram as alas abertas pelo Fusca até estarem ao lado do carro. O cantor se virou fugazmente para o casal, abriu um largo sorriso, depois se voltou para a plateia e prosseguiu:



All day long I think of things

But nothing seems to satisfy

Think I'll lose my mind

If I don't find something to pacify


Can you help me

Occupy my brain?

Oh yeah.


O som era alto, a melodia e a letra cristalinas, mas os dois conseguiam conversar normalmente.

— Nunca pensei que o som do Fusca fosse tão bom — disse Tatiana.

Daniel olhou para ela enquanto examinava as opções de armas no banco traseiro, e ela então completou:

— É, claro, carro assombrado!

O demônio fazia trejeitos, tentava superar o rock com sua letra tenebrosa, mas mal era ouvido. Porém vários dos jovens que ainda estavam próximos dele se voltaram para os Caçadores. Seus olhares eram vidrados e exibiam expressões que deixavam claro o que viria a seguir.

— Ele está comandando aquela rapaziada para nos atacar! — gritou Tati.

— Acho que Ozzy vai dar um jeito nisso também — respondeu Daniel. Ele se ergueu segurando duas espadas na mão.

A lenda do rock, então, começou mais uma música:


Out on the streets, I'm stalking the night

I can hear my heavy breathing

Paid for the kill, but it doesn't seem right

Something there I can't believe in


Voices are calling from inside my head

I can hear them, I can hear them

Vanishing memories of things that were said

They can't try to hurt me now.


O poderoso som de Ozzy finalmente quebrou a influência do demônio naquelas pessoas. Elas piscaram os olhos e deram com a lenda, cantando sobre a capota de um Fusca Azul. Os que não tinham se afastado da cena rodeavam o carro e acompanhavam o show, batendo palmas e cantando junto.

— Não! — disse o demônio com voz cavernosa, tomada pelo que parecia todo o ódio do mundo. — Sou um enviado da Escuridão, e vou tomar quantas dessas almas quiser!

Ozzy olhou para ele enquanto a melodia seguia, riu alto e respondeu:

— E eu sou o Príncipe das Trevas, coisa ruim!

E em seguida emendou:




But a shot in the dark

One step away from you

Just a shot in the dark

Nothing that you can do

Just a shot in the dark

Always creeping up on you, alright.


O próprio demônio sentiu os efeitos da música, e suas pernas fraquejaram. Concentrado em Ozzy, só percebeu que havia mais adversários próximos quando uma dor lancinante atravessou seu coração.

Agonizante, ele virou a cabeça para olhar por sobre o ombro. Tatiana estava lá, expressão determinada, e virando a espada dentro de seu corpo.

— Você escolheu a noite errada para vir atrapalhar a festa!

A moça brandiu a lâmina, fazendo-a atravessar o corpo da criatura e sair pela lateral. O demônio urrou e apoiou um joelho no chão. Nisso, voltou a olhar para frente ao ouvir:

— E quando voltar para o lugar de onde veio, diga que este mundo está protegido pelos Caçadores!

Daniel golpeou com sua espada, decapitando o monstro com um só golpe. Quase imediatamente a cabeça e o corpo se transformaram em uma fumaça negra que se dissipou no ar.

Eles se olharam, e o rapaz segurou a mão da moça. Retornaram para perto do Fusca, e um grupo de pessoas acompanhava os últimos acordes de Ozzy:



I've seen your face a thousand times

Every day we've been apart

I don't care about the sunshine, yeah

'Cause Mama, Mama, I'm coming home

I'm coming home

I'm coming home

I'm coming home.


As pessoas aplaudiram entusiasticamente, disseram obrigado e foram embora. Daniel guardou as espadas e depois abraçou Tatiana.

Ozzy desceu do carro e ficou diante deles.

— Cara, foi incrível, obrigado! — disse Daniel.

Tatiana, com lágrimas nos olhos, o abraçou.

— Isto é um adeus?

Ele olhou nos olhos dela, segurou seu queixo e disse:

— Meu bem, nenhum adeus é para sempre.

Estendeu o braço, Daniel se aproximou e os três se uniram em um forte abraço. Ozzy então acrescentou:

— Quando chegar a hora, cada um de nós se tornará um... Encantado!

O abraço seguiu firme, então os três se olharam. Ele disse:

— Amo vocês, moçada!

— E nós te amamos, Ozzy — responderam em uníssimo.

Ozzy deu um beijo no rosto dos dois, recebeu outros de volta, e nesse momento um trem, abrindo uma brecha no tecido entre as realidades, veio pela rua. A locomotiva apitou forte e soltou baforadas de vapor, e um dos vagões parou ao lado deles. 

— O rock n'roll é o maior amor da minha vida, pois foi através dele que cheguei a todos os outros. Meus queridos, amem bastante, e que Deus os abençoe!



Depois de novo abraço, Ozzy entrou no trem. Os acordes regressaram:


Maybe it's not too late

To learn how to love

And forget how to hate


Mental wounds not healing

Life's a bitter shame

I'm going off the rails on a crazy train

I'm going off the rails on a crazy train.


Tati e Dan viram o trem se afastar com Ozzy acenando, subindo para o céu e penetrando em nuvens que cobriam a região. Momentos depois estas se dissiparam, e estrelas brilharam no firmamento.

O Fusca regressou, depois de haver empurrado a van para diante de um terreno baldio. Abaixou as janelas ao mesmo tempo em que ligou o rádio, e eles ouviram:


Except for me I'm the lonely one

I live in shame


I say goodbye to romance yeah

Goodbye to friends I tell you

Goodbye to all the past

I guess that we'll meet

We'll meet in the end.



— Adeus a este romance jamais! — disse Tati abraçando Daniel.

O rádio do Fusca então emendou:


We shared the years, we shared each day.

In love together, we found a way.

But soon the world, had its evil way.

My heart was blinded, love went astray.


I'm going through changes.

I'm going through changes.



— Nosso amor nunca vai se perder — respondeu Daniel. Mas já dançava com Tatiana.

Então veio:


After all there's only just the two of us

And here we are still fighting for our lives

Watching all of history repeat itself, time after time


I'm just a dreamer

I dream my life away

I'm just a dreamer

Who dreams of better days.



Os dois apertaram o abraço, e continuaram a dançar lentamente.

— E a festa? — perguntou Daniel.

— Daqui a pouco vamos lá. Te amo.

— Eu te amo.

O casal continuou dançando enquanto a noite seguia, sentindo-se gratos pela aventura e pelo carinho da lenda. E afinal, sempre teriam suas músicas.



Para Ozzy, obrigado por tudo!


Vó Nena e os Caçadores retornarão.


Até a próxima!


sexta-feira, 16 de maio de 2025

VÓ NENA E OS CAÇADORES: MALDITO BEBÊ REBORN


  — Calma, senhorita, estamos aqui pra averiguar somente.

— Que zorra é essa?



Vó Nena entrou no hospital, acompanhada do neto Daniel e da namorada deste, Tatiana, mas não estava preparada para a cena.

Uma mulher histérica, cercada por enfermeiros e policiais, berrava que tinham que tomar cuidado com seu bebê.

— Ela trouxe o marido com uma faca enterrada no ventre — explicou o delegado Esperidião, — suspeitamos de briga de casal, mas... o homem conseguiu dizer que foi o tal bebê.

— E o que tem o bebê? — perguntou a Caçadora.

— É que... — o policial hesitou — é um boneco.

A mulher berrou mais, dizendo que seu filho não era uma coisa, enquanto o delegado acrescentou que um guarda o tinha levado para outra sala. A mulher continuou berrando, exigindo uma enfermeira da maternidade e apoio psicológico.

— Calma, senhorita Barroso...

— Dessa família, ainda por cima? — perguntou Vó Nena. — Estão na política da cidade há décadas e nunca fizeram nada que prestasse. E que merda é essa de boneco, Esperidião?

Os dois foram para um canto, e o delegado explicou. A Caçadora não se conteve:

— A porra de um boneco, e essa dondoca o trata como um bebê? Tá de brincadeira!

Esperidião chamou pelo rádio o policial que levara o tal bebê, mas não obteve resposta. Daniel seguiu para a sala indicada e logo gritou. O homem estava caído, um profundo corte no flanco, e enquanto era socorrido balbuciou que o boneco o atacara com um bisturi e levara sua arma.

Tatiana e Vó Nena se entreolharam, e pela expressão da jovem vidente a veterana Caçadora soube imediatamente do que se tratava.

As duas seguiram por um corredor, enquanto Daniel se dirigiu para o outro lado.

De repente gritos e tiros. As Caçadoras correram, e encontraram o tal bebê em pé no corredor e disparando contra uma porta.



A coisa, de fato produzida com um realismo impressionante, olhou para eles no momento em que Tatiana sacou sua pistola com balas de prata. Dois tiros após uma ligeira hesitação, e um acertou o bebê. Mesmo assim ele correu, desaparecendo na curva do corredor. A vidente foi atrás.



Vó Nena abriu a porta, que era de um depósito, e encontrou duas enfermeiras e uma médica encolhidas em um canto, aterrorizadas. Ela disse:

— Fiquem aí, moças.

Tati retornou e comentou:

— Tentei seguir a coisa, mas sumiu.

Por seu lado, Daniel ouviu os tiros, quis correr mas logo recebeu no celular uma mensagem da namorada, dizendo que tinham avistado o monstro. O rapaz suspirou aliviado e prosseguiu em sua busca.

Caçadores costumam desenvolver instintos mais aguçados, então subitamente se abaixou. O estampido de um tiro soou às suas costas, ele virou, apoiou um joelho no chão e apontou sua pistola.

A coisa apontava seu revólver para ele. O rapaz ficou estarrecido como se parecia com um bebê de verdade, e observou a marca do disparo de Tatiana. Se uma bala de prata não fora suficiente, então certamente teriam que usar meios mais drásticos.

O impasse durou alguns segundos, até que as portas do elevador se abriram e dois médicos surgiram, exatamente entre os dois inimigos.

Daniel poderia jurar que viu a coisa torcer a boca em um sorriso irônico e grotesco. Gritou:

— Abaixem!

Disparou sua arma assim que os homens, assustados, se jogaram no chão após darem com o boneco armado. Um tiro o acertou na cabeça, ele caiu para trás, mas logo se levantou e correu. O jovem Caçador o seguiu o mais depressa que pôde, literalmente pulando sobre os médicos aterrorizados.

Era inacreditável que, com pernas tão curtas, a coisa possuída corresse tão depressa.

Chegou ao vão de escadas, virou-se e apontou a arma que roubara do policial para Daniel. Deu dois tiros, que errou, e ficou sem munição. Largou o revólver ali e simplesmente se jogou pelo espaço central.

O Caçador olhou para baixo, e se pôs a descer rapidamente as escadas.

Chegando ao subterrâneo manteve a arma apontada, pronto para tudo.



Uma coisa de metal brilhante passou bem próxima a sua cabeça, batendo na parede. Era um bisturi lançado pela coisa.

Daniel correu, vendo o boneco possuído metros à frente. Estavam no andar de manutenção e lavanderia, e a coisa passou por vários funcionários que se assustavam com a visão grotesca.

— Sai da frente, depressa! — o rapaz repetia.

O monstro terminou por trombar com as pernas de uma funcionária que carregava uma bandeja cheia de bisturis recentemente esterilizados e embalados.

A moça caiu, tentou se levantar assustada, mas sentiu metal apertando seu pescoço.

Daniel parou, apontando a arma.

— Calma, moça, vai ficar tudo bem. Não, não olhe!



A funcionária havia feito menção de virar o rosto a fim de ver seu agressor. Tremia de medo.

— Não tem para onde fugir, aberração — disse o Caçador. — Deixe a moça ir, que garanto pra você uma passagem indolor pro inferno.

A coisa de novo sorriu em um esgar grotesco, as marcas de tiros a tornando ainda mais abominável.

Daniel puxou a pequena cruz de pau-brasil que usava ao pescoço, a segurou e recitou uma invocação, mantendo a arma apontada. Tinha esperanças de, com aquele encantamento, diminuir a força do monstro e ao menos salvar a funcionária.

A coisa puxou outro bisturi, segurando-o acima da cabeça da moça. Daniel apertou mais a cruz, murmurando o encantamento. Estava a alguns metros de distância, e não sabia se funcionaria.

— E em nome de tudo que é bom ordeno que se renda, criatura das trevas — ele pronunciou o último verso da reza.

Daniel manteve a mira, e duvidava que conseguisse atingir o boneco sem ferir a moça. Ele viu o monstro fraquejar, o bisturi amolecer em sua mão, e pensou em atirar. O tempo estava se esgotando.

— Ei, Chucky! — uma voz feminina gritou.



Foi o que bastou. A confusão do boneco graças ao encantamento, mais a surpresa de Tatiana surgir pelo lado, fez o monstro se erguer e virar para lá. Daniel atirou, atingindo-o em cheio. Os bisturis voaram para longe da moça, que se ergueu e correu para junto do Caçador.

Tatiana também atirou, atingindo-o duas vezes. Depois correu e agarrou a coisa.

O boneco se agitava e ela mal conseguia contê-lo. Daniel veio em seu auxílio, e os dois mantiveram a coisa presa. Vó Nena, então, chamou:

— Meninos, aqui!

A Caçadora encontrara o incinerador do hospital. Eles correram para lá, enquanto o boneco se debatia furiosamente. Encontraram dois funcionários que, diante dos gritos deles, abriram a porta da fornalha.

Jogaram a coisa lá e voltaram a fechar a porta.

Tatiana e Daniel, ofegantes, se abraçaram. Nena deu uma explicação rápida aos dois moços, e os três saíram.

Encontraram Esperidião, que acabara de sair do elevador.

— Tudo resolvido, delegado — disse a Caçadora. — Fogo com essas pragas possuídas é a melhor coisa.

— E o que eu digo para a mãe...

— Mãe!? É sério que você está chamando a dona do boneco de mãe? Não incentive a loucura, Esperidião!

Os Caçadores tomaram o elevador. O casal ainda se mantinha abraçado, e Vó Nena sorriu para eles. Disse, finalmente:

— Vocês que não me inventem, hein? Eu quero um bisneto de verdade!

Tatiana sorriu, abraçando-a. Daniel, aliviado, comentou:

— Ele virá, Vó, é uma promessa!

— O que esse povo pensa!? — finalizou Nena. — Maldito bebê reborn!



Vó Nena e os Caçadores retornarão.


Para vocês verem, caros leitores. Nesta segunda metade de maio de 2025 eis que este blog literário entrou na onda do tal bebê reborn! Mas bem ao estilo de Vó Nena e os Caçadores!

Uma historinha simples que espero ter sido divertida para vocês!

Um conto maior, trazendo uma homenagem, deve ser publicado também aqui em breve, fiquem de olho!

E, novamente, estão todos convidados a conhecer a primeira trilogia deste universo de folclore brasileiro, fantasia, terror e lendas urbanas:



Vó Nena e os Caçadores: O Fusca Azul


Vó Nena e os Caçadores:O Livro Maldito


Vó Nena e os Caçadores:A Última Escrava.


Mas não se preocupem, a próxima história longa já tem cenas escritas.

E vale a pena revelar que, antes, deverá chegar mais um e-book (ou livro, torçam!) na forma de uma coletânea de contos e noveletas. Ainda estou decidindo se devo ou não escrever mais uma história para completar esse tomo. Continuem acompanhando em @renatoa.azevedo.

Obrigado por sua leitura, comentem e compartilhem, apoiem os autores brasileiros.

Até a próxima!

quinta-feira, 14 de novembro de 2024

VÓ NENA E OS CAÇADORES: SAMUEL E O CAFÉ COM A EX

 


            Sexta-feira e a propriedade de Vó Nena, no início da zona rural de Boa Graça, cidadezinha no interior de São Paulo conhecida pelo folclore e lendas urbanas, estava silenciosa.

            A Caçadora, dirigindo seu Fusca Azul, fora visitar amigos em uma comunidade próxima dali. No terreiro desta, no dia seguinte, seria realizada uma celebração ecumênica e a ajuda dela havia sido requisitada pelos amigos.

            Daniel, seu neto mais velho, saíra com a namorada, Tatiana, com o Dodge Charger branco que os irmãos dividiam. Samuel, enquanto andava pela propriedade, se sentiu feliz pelo irmão. Havia sido muito bom reencontrar Tati, com quem estudara por boa parte do primeiro e segundo graus. Foi uma surpresa para todos, especialmente para ela própria, quando descobriu sua vidência, e já havia até auxiliado a equipe dos Caçadores em alguns casos.

            Sam, por sua vez, andava desanimado. Ainda sentia o baque do que havia acontecido somente três meses antes, e a solidão o incomodava. Dan e Tati insistiram para que saísse com eles, mas o neto mais jovem de Vó Nena preferira espairecer na oficina montada em um galpão de madeira na propriedade da avó.

            Por fim, acabou chegando á conclusão de que era demais, e que lhe faria bem ver algum movimento. Lembrou-se de um lugar que sempre havia frequentado e decidiu que merecia uma folga.

            Sacou o celular e mandou mensagens para o irmão e a avó. Em seguida entrou na casa, lavou as mãos e o rosto e depois apanhou a chave do Fuscão vermelho, resquício do caso envolvendo o desafortunado George Angelo alguns meses antes. Daniel e Tatiana até já haviam viajado para Brasília com ele, comprovando sua confiabilidade.

            Enquanto manobrava o carro Sam sorriu. As histórias que o irmão e a cunhada contaram, especialmente as que envolviam João, o Caçador amigo deles, foram ótimas. Lembrou-se ainda da recomendação de Vó Nena de jamais tirar as medalhas de Nossa Senhora e de São Jorge do painel do Fuscão, pois suas propriedades sobrenaturais ainda não haviam sido todas descobertas.

            Depois de abrir o grande portão de madeira, sair com o carro, voltar a fechar o portão e retornar ao Fuscão, Samuel seguiu pela estrada de terra até encontrar o asfalto alguns quilômetros adiante. Após um curto trecho de uma estrada secundária de pista simples pegou a bifurcação á direita, seguindo para o centro de Boa Graça.

            Mesmo uma típica cidade do interior como aquela tinha o trânsito um pouco mais pesado na segunda metade da tarde de uma sexta-feira. Mas Samuel não se incomodou, divertindo-se em guiar o Fuscão pelas ruas. Não demorou e estava diante do Café da Clô, uma cafeteria com muitos anos de tradição que resistia à investida das grandes franquias por toda a região.

            Havia uma vaga na frente, e Sam encaixou ali o Fuscão. Depois de descer e trancar o carro entrou na acolhedora cafeteria, apreciando com gosto seu ambiente com muita madeira e móveis antigos, duas estantes com livros e mais duas com produtos típicos incluindo vinhos e cachaças, a maioria produzida na região.




            Clotilde, cujo apelido dava nome ao lugar, veio lhe dar um abraço.

            — Samuel, meu menino! Há quanto tempo não aparecia!

            — Verdade, tempo demais — ele respondeu retribuindo.

            Clô já estava quase nos sessenta, era filha de mãe alemã e pai brasileiro, e tocava o café com os filhos e uma equipe muito dedicada que adorava o que fazia. Olhou novamente para o rapaz e disse:

            — Tão triste o que aconteceu...

            Era nítido que ela queria conversar mais, mas percebendo a nuance de desânimo no olhar dele perguntou:

            — O de sempre?

            Samuel sorriu, deu-lhe outro abraço e respondeu:

            — E tem outro?

            Clô apontou para uma mesa nos fundos, ao lado da porta que abria caminho para o jardim na parte de trás do estabelecimento e que era a preferida de Sam. As memórias emergiram em sua mente, mas ele caminhou resoluto e se acomodou, recordando-se quando se sentava ali em boa companhia.

            Ele havia trazido uma pequena mochila, a pendurou no encosto da cadeira e dela tirou um caderno pequeno e uma caneta. Abriu o volume e pôs seu celular ao lado, inserindo um fone na orelha e pondo para tocar uma música instrumental.

            Agora percebia como aqueles momentos de quietude o ajudavam a pôr as ideias em ordem. Por cima os aromas e texturas da cafeteria proporcionavam um mais que bem vindo sentimento de renovação depois daquele período difícil.

            Clô logo chegou com o pedido de sempre. Um cappuccino grande com canela e chocolate, e uma generosa fatia de bolo floresta negra, de receita tradicional alemã. A mãe dela havia trazido aquela e outras que faziam parte do cardápio da casa, todas adoradas pelos clientes da cafeteria.

            — Deu sorte, querido, o bolo acabou de sair.

            — Você tem toda razão, Clô — respondeu Sam. — Não deveria ter ficado tanto tempo sem vir. Esse aroma...

            Ela sorriu para ele e foi atender mais clientes que chegavam. Samuel ergueu a grande xícara e passou alguns segundos sentindo o aroma da bebida quente. Tomou um gole e fechou os olhos, deliciando-se com o sabor.

            Depois de retornar a xícara ao pires apanhou o garfo e tirou um pedaço do bolo. O sabor tomou sua boca, e ele de novo chegou à conclusão que só poderia compará-lo ao bolo de chocolate que Vó Nena sempre fazia para seu aniversário.

            Samuel sorriu ao pensar, enquanto mastigava o segundo pedaço, que o mais difícil com relação a ambos os doces era se conter, apreciar cada mordida, cada nuance do sabor, e não devorar o bolo inteiro. Era algo que ele havia aprendido com Miriam desde que começaram a namorar. Ele sorriu mais com a lembrança, recordando-se que Daniel ainda era assim, sempre o primeiro a terminar qualquer refeição.

            “Será que Tatiana vai conseguir consertá-lo?” pensou divertido.

            Miriam. Era com ela que costumava frequentar o Café da Clô.

            Samuel fez algumas anotações no caderno, e a intervalos regulares bebia o cappuccino e comia mais um pedaço do bolo. Estava tudo excelente, e ele quase sentia o mesmo gosto de uma época mais recente.




            Minutos depois deixou o garfo sobre o prato vazio e bebeu o último gole da bebida. A ideia de visitar o café dera ótimos resultados, pois o tédio havia desaparecido e ele anotou mais algumas ideias no caderno.

            Eram anotações tanto para o incipiente blog que criara para os casos dos Caçadores como para textos de ficção, principalmente contos, que de vez em quando se arriscava a escrever. Lembrou-se dos três meses de Letras que chegou a cursar em Campinas, antes de decidir trancar e tentar arrumar sua vida em Boa Graça. Muito embora tanto sua mãe quanto Vó Nena dissessem que “caçadas não sustentam ninguém” ele adorava aquela vida, e não pretendia parar.

            Mas fazer alguma outra coisa era uma de suas vontades, e ele apanhou o celular e examinou a caixa de e-mails. Da mensagem que aguardava, e que deveria chegar ainda naquele dia, nada.

            — Esperando alguém?

            A voz o surpreendeu, mas não o alarmou. De fato, de alguma forma já a esperava.

            Largou o celular, fechou o caderno com a caneta dentro e olhou para frente.

            Miriam estava sentada diante dele.




            A mesma Miriam, o mesmo jeito de menininha, usando um vestido floral, os cabelos negros, longos e lisos, virados para o lado e cobrindo um dos ombros.

            — Oi — disse Sam.

            — Oi — ela respondeu.

            Ficou olhando para ela, os doces e grandes olhos castanhos, o rosto delicado exibindo um leve sorriso... tantas lembranças cujo peso Samuel quase conseguia sentir sobre os ombros.

            — Ia perguntar como você está, — comentou ele — mas parece óbvio que bem, né?

            — Estou sim. É bom estar distante de tudo que é ruim e errado no mundo.

            — Espero que eu não esteja incluso nisso.

            Miriam estendeu a mão cobrindo a dele e respondeu:

            — Isso nunca!

            A garota olhou ao redor, o brilho de seu sorriso se intensificou e ela disse:

            — Sempre foi tão bom vir aqui com você, Sam! O jardim dos fundos está lindo!

            Sorriu ainda mais para ele. Samuel retribuiu e a garota perguntou:

            — E você, como está?

            — Não tem acompanhado?

            Novo sorriso. Miriam disse:

            — Só um pouco. Respeito sua privacidade. E meu tempo aqui é curto.

            Samuel pôs a outra mão sobre a mesa, e Miriam a segurou. Ele disse:

            — Tem sido difícil. É claro, a dor não vai embora, acho que nunca irá, mas com o tempo fica mais fácil lidar com ela.

            — Que bom.

            Sam olhou para ela, e a moça percebeu uma sombra em seu olhar. O rapaz disse:

            — É muito duro lembrar de tudo... lembrar dele... aquele desgraçado...

            Fez uma pausa quando sua voz começou a se tornar embargada. Baixou a cabeça e disse:

            — Foi duro demais quando terminamos, Miriam! Nunca sofri tanto na vida. Mas não chegou nem perto do que aconteceu depois...

            Miriam apertou as mãos de Samuel e olhou firmemente para ele.

            — Não faça isso, Sam! Por favor, não se desgaste pensando na injustiça do que aconteceu.

            Ele ergueu o olhar e encarou a garota que tanto havia amado. Ela prosseguiu:

            — Está fora de seu alcance, meu amor, fazer qualquer coisa a respeito. Não se preocupe!

            Desta vez foi na expressão de Miriam que surgiu uma nítida sombra. Ela concluiu:

            — O que aconteceu, aconteceu. De uma forma ou outra a justiça será feita. Todos nós, no final, respondemos por nossos atos.

            Samuel segurou mais forte as mãos de Miriam. Os dois se olharam intensamente. Ela voltou a sorrir, e percebeu os olhos dele marejados.

            — Considere um pedido meu: viva sua vida, Sam. Seja feliz! E não se preocupe, você terá alguém que vai te amar muito.

            — Às vezes é difícil acreditar nisso.

            — Pois acredite. Pode demorar um pouco, mas sei que vocês vão se encontrar.

            — Alguma pista?

            Os dois riram, e Miriam respondeu:

            — Qual seria a graça se eu te dissesse?

            Eles ficaram um bom tempo olhando um para o outro, e finalmente Samuel disse:

            — Então... é adeus?

            Desta vez uma lágrima desceu pelo rosto de Miriam, mas ela não deixava de mostrar aquele sorriso lindo e radiante.

            — Por enquanto sim. Vamos nos ver de novo, claro, mas depois de hoje vai demorar muito.

            — Isso é uma boa ou má notícia?

            Miriam se levantou, veio até ele e o abraçou com carinho. Samuel fechou os olhos sentindo todo o amor dela, e a moça por fim disse:

            — Depende somente de você, meu amor.

            Ela sorriu, o beijou, e se afastou andando de costas.

            — Eu te amo — disse Samuel.

            — Eu sempre vou te amar — respondeu Miriam.

            As formas da moça gradualmente se tornaram transparentes, e ela então entrou em uma luz que se abriu à suas costas.

            O jovem Caçador sentiu uma lágrima teimando em escorrer do olho, enxugou-a, e por instinto viu o celular novamente. Depois se demorou olhando para algum ponto indefinível entre a mesa e o cenário do café.

            A casa estava movimentada. Clô, então, aproximou-se dele, apontou para o fone em seu ouvido e perguntou:

            — A conversa foi boa, querido? Olha que parecia que ela, e espero que fosse ela, estava bem aqui com você, pela sua expressão!

            — Acho que a impressão foi essa mesma — comentou Samuel sorrindo.

            — Vai querer mais alguma coisa?

            Ele pensou um pouco, olhou para ela, e a dona do café respondeu:

            — Outra fatia caprichada de bolo, claro!

            — E uma água com gás também, por favor!

            Sam tirou o fone do ouvido e o guardou na mochila, depois fez mais anotações no caderno lembrando-se das palavras de Miriam. Aquela despedida fora difícil e intensa, mas ele sentia que precisava muito daquele momento. E sentiu-se feliz por ela estar em paz.

            Clô chegou com o segundo pedido, e ele aproveitou o restinho de tarde se deliciando.

            Estava quase anoitecendo quando Samuel foi até o caixa. Clô fez questão de vir abraçá-lo depois.

            — Nem perguntei, e sua avó?

            — Ótima, não para nunca.

            — É bom mesmo — e ela acrescentou baixinho — afinal as assombrações não param também, né?

            Samuel confirmou.

            — E seu irmão que também anda sumido?

            — Agora é ele que está namorando.

            — Pois manda vir aqui!

            — Vou mandar. Obrigado, Clô, foi ótimo.

            Trocaram outro abraço apertado e ela completou:

            — Bom te ver, garoto, volte mais vezes!

            Havia começado uma garoa fina que já molhava tudo, Samuel correu até o Fuscão vermelho, abriu a porta e acomodou-se. Ouviu a notificação do celular antes de fechar a porta, segurou-o e leu o e-mail que havia chegado.

            Dizia: “A BLF Informática tem a satisfação de confirmar sua inscrição para o curso gratuito de Estabilidade e Segurança nas Redes e Navegação Segura, a ser realizado na data de...”.

            Samuel sorriu e guardou o celular. Tinha um mês para se preparar para ir a São Paulo. Ligou o carro e saiu pelo trânsito pensando que sim, iria atender ao pedido de Miriam.

            Seria muito feliz.

 

Vó Nena e os Caçadores retornarão.


            Como fazia tempo que não publicava uma história aqui no blog! Acreditem, também senti falta, mas entre o Táquion FC (leram o artigo do post anterior, né?) e os trabalhos no novo e-book de Vó Nena e os Caçadores, não sobrava muito tempo para pensar em contos menores para cá.

            Sim, conforme já anunciei em meu perfil no Instagram, em 2025 teremos novidades! Já se tornou a mais longa história deste universo, e ainda teremos um epílogo, protagonizado pelo próprio Samuel e por...

            Já anunciei o nome dessa nova personagem no Insta, vão lá!

            Este conto simples mas que foi delicioso de escrever somente não fecha o arco de Miriam porque ainda planejo uma história anterior a ele, que irá apresentar o momento em que os Caçadores conheceram uma bruxa mencionada na história de George Angelo, o prelúdio de O Livro Maldito. E claro que vocês sabem que o Fuscão vermelho era dele. O mesmo Fuscão com que Daniel e Tatiana visitaram Brasília na história da Caveira de Burro.

            Lembrando que, no início de O Livro Maldito, mostramos o que aconteceu com o sujeito responsável pela morte de Miriam.

            Além disso, como puderam ver, este conto cria mais pontes com o universo dos alienígenas de De Roswell a Varginha e Filhas das Estrelas, que por sinal é o mesmo onde atuam os Caçadores! Já existe inclusive um roteiro para o conto que mostrará a visita de Samuel a São Paulo, então aguardem.

            Ainda tenho a ideia de mais um conto natalino (este de outro universo, ou Multiverso...), mas está ainda muito incipiente, e não tenho certeza se será possível escrevê-lo e publicá-lo até o Natal. Tentarei organizar os temas... quem sabe?

            E, se ainda não conhece o universo de fantasia, folclore, terror e lendas urbanas de Vó Nena e os Caçadores, as tags aí abaixo podem ajudá-lo. E também está apresentado o convite para ler também os e-books já publicados:

 


VÓ NENA E OS CAÇADORES: O FUSCA AZUL;

 


VÓ NENA E OS CAÇADORES: O LIVRO MALDITO.

 

            Espero poder encontrá-los aqui pelo blog novamente. Não se esqueça de seguir este humilde escriba: @renatoa.azevedo .

            Até a próxima!