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quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Superpato Novas Aventuras parte 21

SUPERPATO 50 ANOS

PKNA 41 Agdy days


Esta história saiu em 1 de maio de 2000, e já na capa vemos imagens em meio ao fogo de nosso herói, uma xamã, e um grupo combatendo... os evronianos!

A trama começa com uma sucessão de cenas. Uma distante aldeia atingida por um cataclismo, relembrado por uma velha líder ou xamã. Depois operadores da bolsa de valores discutindo. E chegamos a Angus Fangus em mais uma reportagem denúncia contra a Defco, empresa armamentista que tem realizado testes nucleares contra os quais a população tem protestado. Roover Antrax, o líder da empresa, discute com um dos diretores sobre experimentos fracassados se sucedendo por anos a fio e o demite, e depois esse sujeito reaparece como informante de Angus Fangus.

Da aldeia, logo no início, partiu um jovem com uma carta, e esta chega à Ducklair Tower destinada a Everett Ducklair. Um observa que vem da Sibéria, está ligada a um arquivo sobre novos materiais, traz escrito “agdy days” e vem assinada por Ilija Onkoul, marcada como prioritária em sua memória. Claro que isso leva o Superpato a partir para a região.


Na área de testes da Defco um confiante Antrax chega de helicóptero, assim como Angus Fangus e um velho conhecido nosso, Câmera 9 (confira na parte 10 sua participação em Manutenzione straordinaria). Em flashback vemos o informante do jornalista comentando que Antrax pesquisa há décadas um material que, para ser obtido, necessita de pressões e temperaturas dificilmente encontráveis na natureza. Mas é um material que alteraria o curso de qualquer guerra. Nisso, nosso herói está chegando a seu destino, e Um explica que ali aconteceu, em 1908, um cataclisma conhecido como Evento de Tunguska.


Excers e interessados em enigmas naturalmente já devem saber do que se trata. Em 30 de junho daquele ano, às 07:17 h da manhã, um objeto caiu do céu e explodiu sobre a taiga siberiana. Mais de 2.000 quilômetros quadrados de floresta foram destruídos, e a quantidade de poeira lançada na atmosfera, refletindo a luz do Sol, tornou possível ler um jornal em Londres na rua, à meia-noite. Na Holanda não se conseguia fazer observações astronômicas devido a intensa claridade, percebida também na Alemanha na forma de nuvens luminosas que duraram até o amanhecer. E na Antártida, a equipe do pioneiro Ernest Shackleton registrou auroras astrais absolutamente espetaculares. A potência da explosão foi calculada como algo em torno de 10 a 15 megatons de TNT, ou cerca de 1000 vezes o poder da Little Boy, a bomba atômica que arrasou Hiroshima na Segunda Guerra Mundial.

O saudoso mestre da Ficção Científica Arthur Clarke divulgou cálculos, mostrando que se a Terra estivesse apenas 6 horas mais adiantada em seu giro, a explosão teria acontecido sobre Leningrado, atual São Petersburgo. Se a explosão ocorresse 12 horas depois, teria destruído Nova York. Sem falar que, se o objeto tivesse caído no mar, teria causado tsunamis que inundariam vastas áreas costeiras. As longo dos anos diversas teorias, muitas francamente malucas, foram apresentadas para explicar o evento. Choque de antimatéria, buracos negros, raios laser alienígenas, até a queda de uma nave extraterrestre. Hoje a maioria dos especialistas defende que o objeto de Tunguska deveria ter sido um asteroide ou núcleo inativo de um cometa extinto, e é esta linha a seguida por nossa história.

Os nativos acabam derrubando o Sp-car do Superpato... com um estilingue! Nosso herói acorda e eles se desculpam, e a anciã comenta sobre Everett e seu companheiro fantasma que vive em uma esfera. Um, claro! Depois ela conta o que aconteceu nos Dias de Ferro e Fogo. Ela fala sobre a queda do objeto em 1908 e como o exército logo veio recolhê-lo. Mas também surgiram estranhos vindos do céu, gritando “EAAA-VRAAN”. Evronianos!

Angus e Câmera 9 são capturados pelos homens de Antrax, e jogados em uma sala trancada. E na Sibéria Ilija continua contando sua história, e nosso herói é surpreendido por saber que a xamã é formada em astrofísica e engenharia aeronáutica! O companheiro dela, por sua vez com graduação em ciência de materiais, explica que alguns meteoritos chegam á Terra com tamanha energia que as pressões e temperaturas do impacto fazem com que seu material se funda aos elementos da Terra, criando uma nova substância. Com estranhas propriedades e vinda da água, da terra, do ar e do fogo. Um quinto elemento. Os antigos o chamavam de mith-rihl, acreditando possuir propriedades mágicas, produzindo com ele indestrutíveis portas de fortalezas e espadas que somente aqueles dotados de honra poderiam empunhar.


Quantas referências, não, Bilbo e Frodo?


Ilija comenta que muitos outros objetos foram produzidos ao longo da história com esse material produzido por impactos, e diz que no país de nosso herói acontecerá uma explosão nuclear conforme foi noticiado no rádio. A explosão já aconteceu, e Antrax corre com seus técnicos para analisar o material. E, como Ilija afirma, este é muito perigoso em mãos erradas.

As pesquisas na Defco comprovam que o material não só resiste mas reage a pressões, graças à morfogênese molecular auto-induzida (papo científico!). Um detalha mais conversando com o Superpato, afirmando que o material acumula energia em seu processo de criação. Roover Antrax, nesse meio tempo, conversa com seu auxiliar sobre se é mais conveniente vender o material pelo melhor preço, ou se tornar rei do mundo. Afinal, jogado de determinada altitude, a rocha pode devastar regiões inteiras, e até rachar o planeta.

Superpato invade a base da Defco mas acaba capturado. Contudo é parte de um plano, pois os siberianos estão escondidos no Sp-car e causando estragos, libertando nosso herói e os jornalistas no processo. E o pato foge com seus novos amigos e a rocha.


Na Sibéria, a nova rocha é colocada em uma caverna ao lado daquela de 1908, e Ilija explica que sua tribo a ocultou enquanto o exército combatia os evronianos. E foi um pedacinho dela atirado de um estilingue que derrubou o Sp-car no início! Na bolsa de valores as ações da Defco despencam, e no fim do dia dois faxineiros conversam diante das pilhas de papéis, um reclama do salário que ganha diante do que é negociado ali, e o outro fala que há coisas além do dinheiro. O céu estrelado, por exemplo, é de graça!

Boa história, melhor que as anteriores aliás, e que tem semelhanças com as da tribo neozelandesa de Angus Fangus lutando contra o ganancioso empresário Fenimore Cook (PKNA 7 Invasione na parte 5 e PKNA 23 Vuoto di memoria na parte 13). E profunda a mensagem de que a sabedoria vale mais do que tudo!

PKNA 42 La sindrome di Ulisse


Publicada em 1 de junho de 2000, já começa de forma muito impactante. Em um barco de pescadores o capitão e seus comandados comentam como a pescaria anda fraca, quando encontram em suas redes o Donald!

Após um pesadelo no qual é tragado pelas águas e se vê diante do aterrorizante olhar de um monstro nosso pato acorda sem saber quem é. O capitão Taddeo Mackerel se apresenta e explica como o salvaram, e depois os marinheiros comentam que ele é um dos seus pela roupa que veste, mas Taddeo duvida pelas mãos do hóspede. O médico da cidade se encontra ausente, e o capitão explica ao pato que eles estão em Port Whale na ilha Kreeland, entre a Austrália e a Nova Zelândia. Donald só consegue lembrar da escuridão, das águas, e de um nome, Davy Jones.

Acredito que a maioria está pensando neste cavalheiro aqui, não é?


Mas na verdade se trata da lenda de Davy Jones, uma duradoura superstição dos Sete Mares, e encontrei algumas fontes para o leitor de inteirar a respeito, aqui, aqui e aqui. Divirtam-se!

Depois de afirmar que o oceano não nos ama nem odeia, mas meramente nos tolera, e nos pune se o ofendemos, o capitão Mackerel explica que Davy Jones é um espírito maligno das águas, e em seu baú no fundo do mar guarda um tesouro de incontáveis navios afundados. Depois aponta para o moderno navio de outro capitão chamado Kaplan, um caçador de tesouros que busca os vestígios do Achiever, uma embarcação mercante desaparecida naquelas águas 200 anos antes. E foi logo depois da chegada de Kaplan que os problemas de Port Whale começaram, com os peixes rareando e estranhos incidentes com vários barcos. E muitos marinheiros acham que tais ocorrências se devem a Davy Jones.

Um incidente em um comércio da ilha provoca a convocação do conselho do lugar, e logo todos estão discutindo a operação de Kaplan. Taddeo afirma que todos estão esquecendo a tradicional hospitalidade daquela terra por causa do medo e do rancor. Mas eles bolam um plano para saber mais.


Em um restaurante do lugar o anxiliar de Kaplan está jantando quando acontece uma confusão. Donald e Taddeos impedem que marinheiros ataquem o homem, e por fim este os convida para conhecer a embarcação em que trabalha. Eles jantam com Kaplan, que assegura que sua empresa, Argonauts Ltd., lida somente com pesquisa e resgate. E ele por fim exibe uma sonda submarina que foi mastigada por algo. Mackerel comenta que muitos barcos de Port Whale tiveram incidentes semelhantes, Donald argumenta que pode ter sido um tubarão ou orca, mas o capitão diz que nenhum desses animais é tão grande.

E nosso pato tem um problema e desmaia ante o que diz um técnico do navio a respeito de uma “massa compacta”. Seguem cenas em flashback do Superpato, a bordo do Sp-car, percorrendo as profundezas enquanto conversa com Um. Mas o veículo é atacado, e nosso herói fica inconsciente.

O médico de bordo diz que Donald está bem, mas sua falta de memória é provocada por hipotermia. E o pato afirma que somente se lembra de imagens semelhantes às encontradas pela tripulação de Kaplan, e que aquilo não é um naufrágio, mas uma construção enorme.

Uma tensão cresce entre Kaplan e Taddeo, que comenta que Donald sofre da Síndrome de Ulisses. O herói grego da Odisséia foi mantido em uma ilha, sem memória, por sete anos pela ninfa Calypso graças a um feitiço. Manhã seguinte, e nosso pato decide ir com Kaplan e seu auxiliar no submersível. Taddeo conta então uma lenda de Port Whale, quando Davy Jones decidiu ficar ali, espantando os peixes. Os pescadores passaram a caçar baleias, e então o líder dos cetáceos fez um pacto com o comandante dos pescadores: eles se livrariam de Davy Jones e os homens não mais caçariam baleias. Desde então Port Whale tem sido lar dessas criaturas. O capitão Mackerel apresenta então um amuleto que parece um dente, entregando-o a Donald.

Eles mergulham, e encontram finalmente um objeto que faz a memória de Donald retornar: o Sp-car! É sensacional nesse momento ver nosso herói agindo, mandando que eles retornem à superfície e saindo com um traje de mergulho para grandes profundidades, em meio ao ataque de Davy Jones. Nesse ponto, descobrimos que este é um colossal tubarão!

Donald entra no veículo e Um o coloca a par de tudo. Foram três dias desde que ele pôs o pato em uma cápsula de sobrevivência e o ejetou para a superfície, durante os quais conseguiu reparar o Sp-car. E o motivo da presença deles ali é um chamado de emergência da República da Belgrávia, a responsável pela instalação no fundo do mar. Atacados pelo tubarão e outros dois semelhantes, eles conseguem entrar por uma abertura. 

Já tratamos aqui, claro, do regime totalitário e armamentista da Belgrávia em PKNA 21 Tyrannic na parte 12! Depois de alguma luta o doutor Stavro Barnum, comandante da instalação, pede uma trégua e explica que Davy Jones e seus companheiros um pouco menores são produto de sua pesquisa, para a criação de uma arma biológica letal e indetectável. E eles o fizeram depois de encontrar, nas proximidades da Nova Zelândia, os destroços de um objeto desconhecido após uma misteriosa explosão. Trata-se de uma nave evroniana atingida durante os eventos de PKNA 7 Invasione (confira na parte 5), onde eles encontraram restos biológicos e os combinaram com os de tubarões. Os animais escaparam e terminaram por cercar o laboratório, destruindo várias áreas e impedindo a fuga da tripulação.

O Superpato chama Um e eles bolam um plano para distrair os bichos a fim de que todos escapem em trajes de pressão. Mas como não há destes para todos, nosso herói levará três belgravianos na cabine expansível do Sp-car. Os tubarões são distraídos pelas projeções holográficas disparadas por três cápsulas do veículo e todos saem, mas quando uma delas é inadvertidamente destruída Davy Jones vem atrás deles. Os dentes do tubarão abrem um furo no Sp-car, que Superpato acaba fechando com o amuleto de Taddeo.


Isso termina por provocar um ensurdecedor assobio, um chamado ouvido pelos habitantes legítimos daquelas àguas: as baleias! Estas não conhecem aquele adversário, mas sentem seu sofrimento. E os tubarões, muito mais inteligentes que os normais, sentem a serenidade dos cetáceos e por fim fazem uma escolha. E a escolha é a paz. Superpato diz a Barnum que eles venceram sobre sua imoralidade, e agora são realmente livres.

Para sempre!

Em Port Whale os belgravianos são presos, e o Superpato alerta que devem se manter afastados daquela área no fundo do mar, dizendo que ainda voltará para terminar a questão. E, como agora sabe o que é estar desmemoriado, nosso herói diz que será suficiente que não comentem a história do pato perdido. Taddeo comenta que nem sabem o nome dele, e ele responde: “Superpato, capitão. Meu nome é Superpato”!

O episódio mais ecológico da série é também um dos melhores “stand alone” de todos, mesmo estando fora do que podemos chamar de mitologia da série, aquela dividida entre o combate aos evronianos e as viagens temporais de alcance quase inimaginável. Uma divisão que os excers conhecem bem, claro! Se bem que, com as menções feitas aos evronianos, especialmente em nossa segunda história de hoje, não se pode realmente afirmar que estes episódios são de fato alheios à mitologia.

Outro elemento que já fazia tempo que deveria ser comentado é como, muitos anos antes do Universo Cinematográfico da Marvel, Um se monstra uma I.A. incrivelmente mais versátil do que Jarvis ou Friday, do Homem de Ferro!

E, já que falamos na parte anterior do evento Romics, temos mais novidades! Em seu instagram o mestre Disney Marco Gervasio publicou a maravilhosa imagem abaixo!


Marco disse que é uma edição da Classici Disney inteiramente dedicada a Fantomius, um enorme e merecido reconhecimento à qualidade inegável de suas histórias. O livro será detalhado na Romics, e chega às bancas italianas em 10 de outubro.

Aqui no Brasil, se inexplicavelmente ainda não tivemos a publicação de nenhuma das quatro histórias de Fantomius ainda inéditas em português (e até o final do ano sairá mais uma na Topolino italiana), temos a novidade de que a Panini irá retomar os lançamentos em capa dura de séries já publicadas pela Abril, a saber: Os Anos de Ouro de Mickey, tio Patinhas por Carl Barks e a Biblioteca Don Rosa. Os fãs Disney já se animaram novamente e estão, claro, pedindo mais, incluindo este escriba. Afinal, faz muito tempo que não temos algumas das grandes sagas e aventuras publicadas aqui...

Nossa contagem regressiva continua!
Até a próxima!

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Fantomius o ladrão de casaca parte 8

E chegamos à última parte deste especial sobre o antecessor do Superpato, cujo universo foi brilhantemente criado e expandido graças ao talento e genialidade do quadrinista italiano Marco Gervasio! Até bem pouco tempo atrás estávamos, nós fãs dos quadrinhos Disney, verdadeiramente desamparados, e nossa única esperança para continuar lendo as histórias do Ladrão de Casaca era ter sorte em encontrar as raras edições da Topolino que chegam ao Brasil. Felizmente o trabalho já sendo realizado brilhantemente pela Editora Culturama seguramente fará Fantomius aparecer novamente em nossas bancas!


Criador e criatura: Marco Gervasio e Fantomius!

E em outros locais, já que a casa editorial gaúcha tem um inovador sistema de distribuição, que ainda envolve livrarias, supermercados, papelarias e outros locais, fator que deverá trazer muitos novos leitores, vários dos quais que serão alfabetizados graças aos personagens Disney. Coisa que ocorreu com muitos de nós, claro, o que incluiu, evidentemente, também os personagens de Mauricio de Sousa!

Assim, neste último artigo sobre As Espantosas Façanhas de Fantomius, Ladrão de Casaca, apresento as três histórias ainda inéditas no Brasil. Ao contrário dos textos anteriores este será bem mais enxuto, pois evidentemente não irei revelar detalhes fundamentais das tramas, já que a Culturama deverá apresentá-las a partir de março aos leitores. Os links apresentados, como nas partes anteriores, levam ao excelente site Inducks, mas quem quiser clicar nos mesmos o faça por sua conta e risco, já que ali são revelados detalhes e personagens que constituem surpresas das tramas, combinado?

Antes, porém, por favor visitem o Corujice Literária, onde está no ar a resenha elaborada por este escriba daquela que é provavelmente a mais grandiosa e emocionante história em quadrinhos Disney já publicada, a Saga do Tio Patinhas! Já mencionada na parte 6 deste especial, aliás. Confira a parte 1 e a parte 2 e emocione-se você também!

Vamos então retornar aos anos 20 e as grandes aventuras do Ladrão de Casaca!

La notte delle gemme

Aqui apresento os títulos originais ainda não traduzidos, mesmo que a conversão ao português seja muitas vezes óbvia. Esta trama, que poderá ser apresentada como “A noite das gemas”, foi publicada em Topolino 3273, de 15 de agosto de 2018. Como vimos ao final de O Desafio de Fantomius, Dolly recebeu um telefonema de Lucrécia, sua melhor amiga, que deseja ir visitá-la para apresentar seu novo namorado.


Claro que se lembram da parte 6 deste especial, não é mesmo? Uma das histórias ali apresentadas é justamente a da origem de Dolly Páprika, na qual um dos temas fundamentais é a forte amizade entre ela e Lucrécia.


Na primeira página da trama, sempre revelada no site oficial da Topolino, vemos que John e sua amada ouvem um noticiário no rádio, que comenta um negócio a ser realizado pelos proprietários das cinco Gemas do Marajá. Nosso ladrão preferido logo se interessa, claro!

Não chega a ser surpresa que o dono de uma das joias é o namorado de Lucrécia, o que evidentemente cria uma tensão entre Dolly e John. O que é possível dizer é que o Ladrão de Casaca se revela surpreso por certos desenvolvimentos da trama, mas surpresa mesmo é a revelação no final de quem é o grande vilão da história!

Uma das cenas mais legais da aventura é uma perseguição automobilística entre Fantomius e, claro, o Comissário Pinko. Aproveito esta oportunidade para analisar melhor mais essa referência inserida pelo genial Marco Gervasio. No material que saiu na Itália, reprisado nas edições portuguesas da série As Melhores Histórias Disney (confira nossa análise dos dois primeiros volumes no Corujice Literária), os meios de transporte de Fantomius e Dolly Páprika são descritos em textos ilustrados.


E o mais frequente deles, o fabuloso automóvel cheio de truques chamado de Carro Móvel, é descrito nas fichas como inspirado em um Duesenberg, autêntico supercarro norte-americano dos anos 1920 e começo dos 1930. A fábrica fez seu nome nas corridas, especialmente Indianápolis, e graças a isso desenvolveu uma avançada tecnologia para a época, tornando seus carros capazes de superar, em suas versões mais sofisticadas, os 200 km/h. Iniciando pelo modelo J, a Duesenberg introduziu um compressor no motor para maior potência no modelo SJ.


Depois produziu o SSJ, com dois compressores, modelo do qual somente dois exemplares foram feitos. Naquele começo de anos 30, época de acentuada crise econômica mundial, esses carros caríssimos foram parar nas mãos de dois astros do cinema, Gary Cooper e Clark Cable. Que, claro, chegaram a disputar um “racha”!


Mas mesmo com essas informações, ainda considero que o autor pode ter se inspirado em outro modelo fenomenal da mesma época. Visto sob outros ângulos em outras tramas, o Carro Móvel de nosso herói aparece com formas um tanto mais esguias, ganhando semelhança com o Mercedes-Benz SS, cujo modelo mais radical para corridas foi o SSK.


Um detalhe interessante nesses modelos alemães é que o engenheiro responsável por seu projeto em 1927 foi ninguém menos que Ferdinand Porsche. Sim, ele transitou em várias das marcas alemãs antes de ser o principal responsável pela criação do Fusca, e depois da Segunda Guerra Mundial criou sua própria empresa, sucesso no segmento de carros esporte até hoje.

Não é de hoje que a tecnologia na realidade dos patos é mais adiantada que a nossa, já que as aventuras de Fantomius transcorreram até 1924 nas tramas já publicadas.

Então, o que acham? De minha parte, penso que Fantomius está muito bem servido por ambas as marcas!

La notte delle gemme termina com Fantomius desvendando a trama, porém o grande vilão por trás do esquema permanece oculto de nosso Ladrão Cavalheiro. Vamos aguardar a versão brasileira, a ser lançada pela Culturama!

I due vendicatori

Para mim a Culturama talvez utilize a tradução “Os dois vingadores” para esta trama, originalmente publicada em Topolino 3275 em 29 de agosto de 2018. Com 52 páginas é a mais longa história do Ladrão de Casaca já publicada, e as razões para isso podem ser conferidas já pela maravilhosa capa da revista italiana!


Sim, o que parecia impossível foi realizado com brilhantismo por Marco Gervasio! Na primeira página da trama vemos uma noite chuvosa sobre Patópolis, e uma figura de capa percorrendo as ruas escuras. O que é possível dizer é que John Quackett conhece Donald, pois precisa da ajuda dele para descobrir onde está Dolly. E como eles vieram parar no presente? Talvez os leitores devessem dar uma olhada na parte 1 deste especial, é tudo que eu posso dizer!


A segunda parte da trama, na mesma revista, também teve sua primeira página revelada no site oficial da Topolino, e vemos nossos heróis presos em uma armadilha, com o Tio Patinhas entrando esbaforido. Nas mãos de Fantomius vemos o objetivo da invasão dos Dois Vingadores, e só posso dizer que esse objeto é mencionado tanto nas histórias de Carl Barks como de Don Rosa.


Seja na parte 1 ou na parte 2 da história há montes de referências, uma recriação lindíssima da gênese do Superpato, a descoberta de mais segredos de Vila Rosa, e um final absolutamente arrebatador e emocionante, com a revelação do grande vilão, e outras referências que farão delirar o fã da boa, velha e querida Ficção Científica. Não poderia haver final melhor para esse encontro histórico e belíssimo entre Fantomius e seu digno sucessor, o Superpato! Culturama, vamos apressar aí, hein, a vontade de ler essa obra-prima em português só aumenta!

La settima arte

História publicada em Topolino 3280, de 3 de outubro de 2018.


A primeira página, disponível no site oficial da publicação italiana, mostra um trem chegando a Patópolis, e pelos comentários dos personagens logo nos damos conta de que os passageiros são Gloria Squackson e Ducklas Fairbarks, casal de atores muito famoso graças ao imenso sucesso de seus filmes sobre Fantomius. Naturalmente todos se lembram deles, pois apareceram em uma das melhores histórias de toda a série, Silêncio na Sala, da qual falamos na parte 2 deste especial!


Vale destacar a locomotiva, logo no primeiro quadrinho da história, um modelo bem avançado e aerodinâmico. Em sua dianteira vemos o nome da máquina, The Duck, e o número, 60009. Nada como uma boa pesquisa para descobrir que a locomotiva desenhada por Marco Gervasio é uma reprodução exata do tipo LNER Class A4, lançada em 1935 pela companhia London and North Eastern Railway (daí a sigla). Tais máquinas a vapor foram utilizadas nos Estados Unidos e Inglaterra até o início dos anos 1960.

E de novo, a tecnologia no Universo dos Patos é mais adiantada do que no nosso!


As A4 eram máquinas potentes e aerodinâmicas, e estavam entre os primeiros trens de alta velocidade utilizados comercialmente. Por sinal uma dessas, a 60022 Mallard, detém até hoje o recorde mundial de velocidade para locomotivas a vapor, com 203 km/h obtido em 3 de julho de 1938. E aqui vai a graça desta referência, pois Mallard é também o nome de um pato selvagem comum na Europa e Estados Unidos!

O casal de atores não são os únicos personagens que retornam, e também descobrimos a presença surpreendente de alguém que faz parte do passado de John. Ele e Dolly estão de olho em outra joia que Gloria Squackson irá utilizar nas filmagens de seu novo filme, que têm sido atrasadas devido aos ataques de estrelismo da atriz.

A trama ainda conta com romance, perseguições e reviravoltas, além de uma bela lição nos vilões. Também temos um surpreendente gancho para a próxima aventura do Ladrão de Casaca. Diante do título da história, que poderia ser traduzido como “A sétima arte”, Fantomius e Dolly Páprika sem dúvida merecem um Oscar por sua atuação!


Termina assim este especial sobre Fantomius, o Ladrão de Casaca, uma das melhores séries dos quadrinhos Disney na atualidade, e até de todos os tempos! A Topolino 3280 ainda traz uma entrevista com Marco Gervasio, na qual fala sobre como Fantomius é um filho para ele, e comenta a respeito das premiações que recebeu em Portugal, a Bande Dessinée Disney Portugal como Melhor Desenhista, Melhor Quadrinho e Melhor Série em Quadrinhos.


No evento Romics acontecido em outubro último em Roma, sua cidade natal, Marco teve uma grande exposição de sua obra, e também recebeu o Romics de Ouro como Mestre dos Quadrinhos.


Mais que merecido!

Conforme anunciado, esta parte 8 que encerra o especial sobre Fantomius é bem menor, pois como são histórias inéditas não é possível acrescentar mais detalhes sem dar spoilers. Nós fãs dos quadrinhos Disney estamos todos muito ansiosos pela chegada do mês de março, quando nossos queridos personagens retornarão para as bancas através do já excelente trabalho sendo feito pela Editora Culturama.

Como dito anteriormente, as edições serão Pato Donald, Tio Patinhas, Mickey, Pateta e Aventuras Disney, iniciarão pelo número 0, mas respeitando a venerável trajetória das publicações Disney em nosso país, também trarão os números de sequência de suas respectivas séries. Uma bela homenagem aos leitores fiéis com certeza!

Aguardamos com muita ansiedade também a publicação destas histórias inéditas de Fantomius, enquanto só podemos especular em qual revista elas estarão. Serão mantidas em Tio Patinhas, ou migrarão para a Aventuras Disney? E a revista maior em formato americano e com artigos diversos, quando sairá?

E falando em novidades da Culturama, confira esta entrevista do editor Paulo Maffia ao canal Comics TV!


Aguenta coração!

E lembrando que neste ano de 2019 nosso herói preferido, o Superpato, completa 50 anos, podem aguardar que brevemente faremos um especial sobre ele aqui no Escritor com “R”!

Obrigado a todos que curtiram este especial! Vocês podem reler todo ele na íntegra nos seguintes links: parte 1, parte 2, parte 3, parte 4, parte 5, parte 6 e parte 7.

E claro que não poderia deixar de mencionar Fantomius e a origem do Superpato no roteiro que escrevi para um possível episódio da série Ducktales introduzindo nosso maior herói nesse universo, confira aqui Ducktales: O Implacável Vingador.

Até a próxima!

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

Fantomius o ladrão de casaca parte 7

Notre Dame


Publicada em Topolino 3210 de 31 de maio de 2017, nós a lemos em português em Tio Patinhas 628, de outubro de 2017. Em uma noite chuvosa três garotos de bicicleta se abrigam na Catedral de Notre Dame (Notre Duck originalmente), enquanto discutem a aparição de um misterioso fantasma no local. A música do órgão da catedral antecede a aparição de uma misteriosa figura negra, e os três resolvem fugir.


O visual dos garotos combina perfeitamente com os de outros três personagens de uma série de enorme sucesso, cuja terceira temporada está sendo ansiosamente aguardada...


Em Vila Rosa, John Quackett e Dolly Pata discutem como a imprensa tem atribuído certos roubos acontecidos ultimamente a Fantomius, sem que ele fosse o responsável pelos golpes. Na também chuvosa noite seguinte Fantomius e Dolly Páprika invadem o Museu de Patópolis atrás de uma preciosa safira, porém nosso Ladrão de Casaca se depara com a cúpula da gema aberta, e esta nas mãos de uma figura de negro. Em outra excelente referência introduzida por Marco Gervasio, reparem nos quadros expostos nas paredes!

O ladrão escapa quebrando a janela, o que dispara os alarmes e alerta a política. Fantomius e Dolly não conseguem encontrá-lo, e precisam escapar dos homens da lei no processo. Pouco depois o fantasma misterioso chega ao porto e faz uma entrega ao capitão de um dos navios ali estacionado.

Na manhã seguinte, enquanto Dolly e John tomam café, Copérnico surge com um bilhete deixado em seu laboratório, dizendo para Fantomius se afastar do caso. Ou seja, o tal fantasma conhece as passagens secretas de Vila Rosa, e sabe que o aristocrata é o famoso Ladrão de Casaca. Na parede diante da mesa do inventor, por sinal, é possível ver o projeto de um veículo que constitui uma referência ao que vai acontecer em uma história posterior... aguardem a parte 8, com histórias ainda inéditas no Brasil!

De volta ao museu na noite seguinte nossos heróis descobrem que o meliante se aproveita da rede de velhos esgotos da cidade para se locomover sem ser visto. As pistas apontam para a Catedral de Notre Dame, que por sinal foi projetada pelo irmão de John, Henry Quackett. Fantomius lembra que o irmão lhe contou sobre uma passagem secreta sob a fonte. Seguindo o túnel oculto, nosso herói descobre o covil do ladrão misterioso. A figura de negro aparece nesse momento, e tem início uma perseguição.

Várias passagens e escadarias para cima e para baixo depois, o personagem misterioso é encurralado por Dolly. E surpresa, revela-se como Henry, o irmão de John! Ele revela que a cidade subterrânea sofreu um desmoronamento, e para conseguir os recursos para reconstruir Atlântida Henry e alguns dos atlantes vieram a Patópolis, mantendo tudo em segredo por exigência de Antinea, a rainha da cidade. John então promete ajudar o irmão com a demanda.

Sem Máscara


Aventura publicada em Tio Patinhas 633 de março de 2018, depois de sair na Topolino 3225, de 13 de setembro de 2017. Vale destacar que este número de Tio Patinhas é importante também por trazer o final da saga Todos os Milhões!


Na história, Dolly recebe Adelaide, esposa do Comissário Pinko, em Vila Rosa, dizendo que John está resfriado e de cama. Contudo, nosso herói se encontra em Ocalulu, ilha situada a quatro horas de barco de Patópolis, personificando o Conde Extrarriko, um contrabandista de diamantes. Ele se encontra com o contato do conde e recebe a valise com os diamantes, mas tudo é um estratagema da polícia local. John sabe que se prenderem depois o verdadeiro Extrarriko ele estará em apuros, e decide fugir pulando no mar.

Nosso herói chega incógnito à praia, mas somente em trajes de banho e sem dinheiro ou recursos, o que fazer? Com um prosaico grampo encontrado na praia abre uma cabine e encontra roupas e dinheiro, disfarçando-se. Depois encara uma gangue de motociclistas a fim de obter um transporte rápido. Como sempre Marco Gervasio capricha nos detalhes, no caso da moto roubada por John.


Esta é uma Harley Duckson, evidente homenagem à Harley Davidson, e parece inspirada no modelo 20F do fabricante norte-americano, sendo que encontramos uma foto de um exemplar 1920 para comparar.


Nisso o verdadeiro Extrarriko já está com a polícia de Ocalulu, e o inspetor local deduz que Fantomius está envolvido. Naturalmente Pinko é chamado, e afirma que desta vez o Ladrão de Casaca está acuado como um rato na ratoeira.

Nosso herói está “tão” estressado que se permite tomar um suco em um restaurante a beira-mar. E outra excelente referência é o suco de ananás e papaia batido e não mexido degustado por ele!

John consegue uma fantasia de Fantomius em uma loja local, junto a uma peruca loira e outro traje. Assim chega ao porto e se mostra para os guardas presentes, e o comissário local ordena que todas as suas forças cerquem o Ladrão de Casaca. Aí vemos o outro traje comprado por nosso herói, de marinheiro! Adivinhem com quem ele ficou muito parecido?


John sai correndo do navio e diz aos policiais que Fantomius está a bordo. Depois vai até a sede da polícia e provoca confusão dizendo que o famoso ladrão cavalheiro se disfarçou de policial e entrou no prédio. Aproveita a bagunça para sair tranquilamente com a valise de diamantes.

O toque final é fugir com a lancha da polícia utilizada por Pinko. Além disso, deixou a moto parada em local proibido, rendendo uma bela multa aos membros da gangue que o perseguiam. Pinko ainda ordena que a guarda costeira intercepte a lancha, mas nosso herói é resgatado por sua amada Dolly em mais uma invenção do genial Copérnico, uma moto aquática.

Uma sensacional aventura de Fantomius, onde o Ladrão de Casaca derrotou toda a força policial quase sem recursos, somente com sua inteligência e astúcia!

O Desafio de Fantomius


Esta história foi publicada primeiro em Topolino 3237 de 6 de dezembro de 2017, e a tivemos aqui em Tio Patinhas 634 de abril de 2018. Para os fãs de aventuras policiais é um prato cheio, pois Marco Gervasio a recheou de diversas referências ao gênero. Entre elas:

No estúdio de Hercule Patorot vemos um quadro na parede onde está escrito Styles Court, evocando O Misterioso Caso de Styles, primeiro livro de Agatha Christie e primeira aventura de Hercule Poirot. Podemos ver ainda um livro que traz na capa Os 12 Trabalhos de Hercule, outra obra de sucesso da Dama do Crime.


Nick Parter é a versão pato de Nick Carter, detetive criado por Ormond G. Smith e John R. Coryell e protagonista de várias histórias a partir de 1886, principalmente nas revistas pulp do começo do século XX. Na mesa se pode ver um livro de Stanislau Patinsky.

Jane Purple é uma homenagem a Miss Marple, também personagem de Agatha Christie, e se pode ver em sua mesa o livro Briga na Casa do Pastor, referência a Assassinato na Casa do Pastor, primeiro livro com a personagem como protagonista.

Todos esses geniais combatentes do crime, mais Patock Holmes e seu fiel assistente Patson (confiram nas partes anteriores desta série) são convidados a comparecer a Patópolis e visitar a Sala do Crime no Museu de Cera de Patópolis. Também participa o Comissário Pinko, e o anfitrião que os convidou é nada menos que Fantomius. Quem os recebe é o Professor Ecks-Doublex, que vem a ser a união de uma dupla de vilões clássicos do Mickey. Por sinal outros vilões célebres podem ser conferidos, como o Dr. Toro, o Capitão Metralha, Fu Man Atchú (já comentado nesta série) e claro, Fantomius e Dolly Páprika!


No meio do debate, a estátua de Fantomius se revela o próprio Ladrão de Casaca, e com uma pose e frase idênticas as do Superpato em O Museu de Cera, clássica história publicada pela primeira vez na Topolino 788 de 1971, e aqui publicada em diversas edições, as mais recentes sendo o lindo encadernado em capa dura Os 80 Anos do Pato Donald e a Lendas Disney 1. A resenha desta, aliás, pode ser conferida no Corujice Literária.

Foi a primeira história do Superpato que li, ainda na Tio Patinhas 156, sua primeira publicação no Brasil, sim, sou fã!

Fantomius afirma que a meia-noite irá roubar um objeto de cada um dos detetives, e os desafia a impedi-lo e capturá-lo. Alguém pergunta como sabe que não o farão naquele momento, e subitamente as luzes são apagadas. Entre gritos e ruídos os detetives saem em equipes para investigar, descobrindo que o Ladrão de Casaca usa gramofones e outros equipamentos para produzir os sons e distraí-los.

Nick Parter e seus auxiliares visitam a Sala de Cinema, onde podemos conferir outros personagens que já participaram das histórias de Marco Gervasio, além de referências ainda mais famosas. Nesse meio tempo Pinko dá uma de machão para cima de Purple, mas a escritora e detetive lhe devolve uma lição. O Comissário, acompanhado de Holmes, vai até a Sala dos Monstros, onde podemos conferir algumas das mais famosas e clássicas criaturas do cinema, e retornam para a Sala do Crime sem pistas.

Com todos ali reunidos novamente o relógio anuncia a meia-noite, e Miss Purple afirma que, se o caso fosse um de seus romances, seria nesse momento que Fantomius apareceria. Pinko, ranzinza, diz que a vida não é ficção, e a escritora retruca sorrindo que a realidade é mais incrível que a ficção!


As badaladas do relógio terminam e todos parecem confiantes, mas de novo Purple anuncia que os furtos ocorreram, enumerando-os. Quando os detetives constatam o fato, a escritora se revela como Dolly Páprika disfarçada. Patorot alega que ela realizou os furtos e que Fantomius trapaceou, mas o Ladrão de Casaca se revela a seguir, disfarçado de Patson, assistente de Patock Holmes. Fantomius diz que descobriu uma passagem para um laboratório secreto sob sua estátua, e ele e Dolly fogem. Os detetives investigam a sala secreta, um laboratório onde Ecks-Doublex, com seus conhecimentos de química, produzia máscaras semelhantes àquelas usadas pelo Ladrão de Casaca.

As fotos nas paredes comprovam que o dono do museu o utilizava como fachada, a fim de abrigar criminosos que, graças às máscaras, podiam realizar seus golpes sem serem reconhecidos. Parter e seus companheiros concluem que Fantomius os auxiliou a prender Ecks-Doublex a fim de eliminar a concorrência, e Holmes sugere aos colegas para manterem entre si o desafio perdido, a fim de não arranhar suas reputações.


Após todos saírem Fantomius, imitando a pose de seu boneco de cera, dá uma gostosa gargalhada. Dias depois, na Vila Rosa, Dolly recebe um telefonema da amiga Lucrécia, que deseja lhe apresentar seu novo namorado.

Esta foi a última história de Fantomius publicada pela Abril, tornando a Tio Patinhas 634 ainda mais especial para os colecionadores. Somente mais três números sairiam antes do melancólico final das publicações Disney, para imensa tristeza dos fãs.

Felizmente a Editora Culturama anunciou que em março lançará as primeiras revistas Disney, retomando a publicação com histórias inéditas para grande alegria de todos nós. Neste link do site Planeta Gibi se pode conferir todas as informações conhecidas, e uma boa novidade é que, ao lado da numeração iniciada do zero, haverá também um número seguindo a sequência da publicação no Brasil.

É uma excelente medida, mantendo a numeração histórica da Disney em nosso país, mesmo que alguns que sempre achem defeitos em tudo (a tal “geração floco de neve” que se ofende por qualquer coisa) teimem em criticar. Por cima, é uma bela homenagem aos leitores que fizeram parte dessa história de quase 70 anos! Estamos muitos ansiosos pela chegada do mês de março!

Relembrando, as revistas que serão publicadas são Pato Donald, Mickey, Tio Patinhas, Pateta e Aventuras Disney. Esta última traz excelentes lembranças, pois grandes histórias saíram anteriormente neste título, como muitas do Superpato, sátiras a O Hobbit e a Star Wars, e até a sensacional Os Mágicos de Mickey.

Paulo Maffia já garantiu que Fantomius voltará a ser publicado em português, e Marco Gervasio foi o primeiro dos grandes artistas Disney a homenagear essa nova fase da Disney com a Culturama!


Resta somente saber em qual revista as aventuras do Ladrão de Casaca serão publicadas. Serão mantidas em Tio Patinhas, ou migrarão para Aventuras Disney? Nesse meio tempo, não deixem de conferir na próxima quarta-feira a última parte deste especial, com as três histórias ainda inéditas no Brasil!

Até a próxima!

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

Fantomius o ladrão de casaca parte 6

O Ladrão e o Milionário

Os leitores devem se lembrar como, nas partes 4 e 5, mostramos pistas da chegada de um personagem a Patópolis, insinuando que ele teria uma participação fundamental em uma futura história de Fantomius. Pois chegou o momento, e já pela capa que publicamos abaixo, já não restarão dúvidas!



Essa história sensacional foi publicada em Topolino 3145 de 2 de março de 2016, e no Brasil em Tio Patinhas 615, de setembro de 2016. Ao longo de várias das tramas o autor Marco Gervásio forneceu pistas de que esse histórico encontro iria acontecer, mostrando a Caixa-Forte no Morro Matamotor ao fundo nos cenários que elaborava (dentro desta série aludi diversas vezes ao “prédio mais famoso de Patópolis”, podem conferir!), e mais recentemente nas histórias O Tesouro do Doge e Fantomius do Egito. Agora posso revelar que nos últimos quadros desta história aparece o próprio Tio Patinhas, naturalmente bem mais jovem.

A história começa a bordo de um transatlântico cruzando o oceano em uma noite em 1912, e nosso milionário preferido refuta uma oferta pelo famoso rubi listrado. A gema atrai a cobiça de outro personagem, que Patinhas confunde com Mestre Pardal, inventor com quem viveu aventuras nos Estados Unidos e no Oceano Pacífico. Contudo o personagem se apresenta como Cartésio, tio do amigo do milionário e também inventor. Na conversa, Cartésio se coloca a disposição de Patinhas, e de graça.


Dez anos depois, Cartésio visita a Vila Rosa, e não deixa nem por um instante de provocar o irmão Copérnico e John Quackett. Ele menciona o retorno de Patinhas à cidade em total segredo, e seu trabalho na instalação de dispositivos de segurança na Caixa-Forte. Copérnico narra como Cartésio sempre competiu com ele, causando inclusive sua expulsão nos tempos de universidade. Então Copérnico e John, juntamente com Dolly, decidem aplicar uma lição ao salafrário.

Na Caixa-Forte Dolly ocupa o lugar de Dona Cotinha, eterna secretária de Patinhas, e obtém informações sobre o edifício. Naquela noite chega Fantomius com uma asa delta, penetrando sem dificuldade no depósito e como sua namorada se maravilhando diante da gigantesca piscina de moedas. Mas a porta se fecha prendendo nosso ladrão, enquanto Cartésio aproveita para roubar o rubi listrado e fugir com a asa delta.

Fantomius, prevenido por Copérnico que viu detalhes estranhos nas fotos obtidas por Dolly, consegue fugir do depósito. Ao lado do inventor e a bordo de sua bicicleta voadora eles seguem Cartésio até o Castelo das Três Torres, local do laboratório secreto do irmão do mal. Eles se confrontam mas Cartésio foge na bicicleta, porém Copérnico, sendo mais inteligente, consegue derrotar o irmão.

Fantomius devolve o rubi listrado a Patinhas, pois como ladrão honrado não ficará com um item que ele próprio não roubou. Em um filme com som (mais uma invenção de Copérnico, anos antes da criação desse recurso) diz a Patinhas que não invadirá o depósito enquanto este for administrado por suas irmãs Matilda e Hortência. Porém, quando o magnata retornar em definitivo Fantomius promete roubar até seu colchão.

Patinhas retornaria a Patópolis somente uma década depois, e nesse ponto John Quackett já teria aposentado a máscara de Fantomius. Naquela noite, em casa, John fecha o Diário de Fantomious após sugerir ao leitor deste que, caso ele não possa cumprir a promessa, seu sucessor o faça.

É evidente que esta última é uma claríssima referência a O Diabólico Vingador, a história na qual Donald encontra o Diário de Fantomius e se torna o Superpato! Já as demais referências ao longo de O Ladrão e o Milionário, e que comentei de passagem neste texto, são claras. Marco Gervásio simplesmente prestou uma linda homenagem a monumental A Saga do Tio Patinhas de Don Rosa, reconhecida mundialmente como uma das mais humanas, dramáticas e sensacionais histórias Disney de todos os tempos! De fato esta trama se encaixa perfeitamente dentro do capítulo 11 da Saga, A Construção do Império em Calisota.


Resumidamente, Patinhas leva as irmãs Matilda e Hortência em uma de suas aventuras, porém diante de seus métodos questionáveis elas retornam para Patópolis. A caminho da reconciliação com elas o milionário vai viajando pelo mundo fazendo negócios por anos a fio, mandando todo o dinheiro para a Caixa-Forte. O mesmo transatlântico visto em O Ladrão e o Milionário aparece aqui (e não, não vou dizer qual é, somente que é muito famoso), então podemos dizer que a trama de Marco Gervásio se encaixa perfeitamente dentro desta de Don Rosa. O capítulo 11 da Saga, aliás, termina com o retorno definitivo de Patinhas a Patópolis, mas quem leu a Saga sabe o sabor amargo deste trecho...

Tema para uma resenha que estamos escrevendo para o Corujice Literária, aliás! Essa história, portanto, faz de Tio Patinhas 615 uma das edições mais especiais de todos os tempos, obrigatória em qualquer coleção!

O Tesouro de Francis Drake


Como comentamos na parte 5, esta trama saiu na Itália em Topolino 3139, de 20 de janeiro de 2016, antes portanto que Fantomius do Egito. Seria publicada no Brasil somente em Tio Patinhas 620, no único caso de inversão em relação a ordem original de toda a série.

A trama aborda muitos elementos criados pelo Homem dos Patos Carl Barks, principalmente com relação ao Duque Doido, Richard Quackett, antepassado de John Quackett. O Duque teve participação importante na fundação de Patópolis, depois de chegar aos futuros Estados Unidos no século XVI. A trama começa em 1585 em Nova Albion (primeiro nome de Patópolis) quando da chegada do navio do corsãrio Francis Drake.

Em sua fortaleza, Richard Quackett recebe a notícia da chegada do pirata pelo amigo, o nobre Malasorte, a quem presenteia com um autorretrato. Em 1922, na Vila Rosa, uma jovem bate à porta pedindo ajuda, dizendo que foi sequestrada e deixada ali. John e Dolly chamam a polícia, e descobrem que a moça é modelo e usava um vestido cravejado de pedras preciosas. A moça ainda reconhece o retrato do Duque Doido na sala, mas John afirma ao Comissário Pinko que é uma cópia que lhe foi dada pelo Conde de Malasorte, descendente do amigo de Richard Quackett.


Na casa de Malasorte a modelo reconhece a sala em que foi mantida cativa, e Pinko prende o Conde. Porém John compara o tempo em que a moça afirma que durou o trajeto de seu cativeiro até Vila Rosa, e confirma que é muito menor que a demora até chegarem de sua residência até a de Malasorte.

O tempo confere comente no caso de a jovem ter sido mantida no antigo castelo de Richard Quackett, mais próximo de Vila Rosa. Ali Fantomius e Dolly Páprika descobre uma sala idêntica a da mansão de Malasorte, além do diário de Francis Drake. O corsário descreve como, ao voltar para casa, descobriu que parte do ouro saqueado estava faltando, e deduziu que o responsável fora Richard Quackett.

O Duque Doido usou parte de seu furto para construir o castelo, e o restante doou para as pessoas necessitadas da região. Ou seja, foi o primeiro Ladrão de Casaca!

Retornando à mansão de Malasorte, eles descobrem pistas no retrato original de Richard, e uma frase em latim: “ars est celare artem”, ou arte é esconder a arte. Fantomius observa que o castelo atrás de Richard não é o dele, mas sim o Castelo das Três Torres. Nesse momento Howard Drake, descendente do pirata, aparece e os rende, afirmando que seu plano era reaver o ouro roubado do corsário e se vingar de Malasorte e de Quackett, embora esta última parte não tenha dado certo, com o roubo dos diamantes e a libertação da modelo em Vila Rosa.

Howard ruma para o castelo, mas Fantomius diz a Dolly que foi um estratagema pois desconfiava que eram vigiados. O ouro na verdade está no quadro, e como último golpe nosso ladrão liga para o Comissário Pinko e entrega Howard Drake. Como cavalheiro que é, Fantomius deixa parte do ouro para o amigo Malasorte, cuja família vinha enfrentando dificuldades financeiras. No epílogo, após a prisão de Howard, vemos que este na verdade era um peão de Cartésio Pardal. Assim esta história se passa logo antes de O Ladrão e o Milionário!

Dolly Páprika


Faltava contar a origem de outra personagem absolutamente essencial nas aventuras de Fantomius, e esta é Dolly, sua eterna amada. Essa outra excelente história saiu na Topolino 3194, de 8 de fevereiro de 2017, e em Tio Patinhas 624, de junho de 2017. E se as histórias anteriores variavam entre 24 e 26 páginas, esta tem 41, por motivos mais que justificados!

É 1913 em Patópolis, e Dolly e sua melhor amiga, Lucrécia, conversam e brincam enquanto provam as fantasias que usarão na festa daquela noite. Dolly se revela entediada com os nobres chatos e a amiga, brincando de adivinhação, diz que ela encontrará o pato especial que procura sob a máscara de Fantomius. Dolly diz que o Ladrão de Casaca é uma invenção da polícia para justificar seus fracassos, e a contragosto segue para a aula de balé. A professora a repreende pelo atraso e falta de disciplina, dizendo que deveria seguir o exemplo de Margareth, sua irmã. Descobrimos em seguida que a professora é Samantha, mãe de Dolly.


Na festa nossa futura heroína se entedia, e ao lado de Lucrécia vai até a varanda. A amiga a adverte contra o tipo estranho ali presente, mas Dolly fica, e nesse momento conhece John Quackett. Dolly diz que a máscara é obrigatória na festa, e John responde que aquela é sua máscara (temos aí uma menção a outro Cavaleiro das Trevas, talvez?). A conversa dura pouco, pois conforme Dolly diz seus carcereiros vieram apanhá-la. John responde que se verão de novo, afinal estão na mesma prisão.

Sete anos depois estamos em outra festa na mansão da Condessa de Snob (lembram da parte 1 deste especial?) e Lucrécia questiona Dolly por ainda procurar seu pato especial. Ao subir para tomar ar esta escuta barulho em um cômodo, e movida pela curiosidade abre a porta. Em meio à fraca luminosidade Dolly se vê diante de uma figura de capa esvoaçante, a capa de Fantomius!


O Ladrão de Casaca assegura que nada fará contra a dama, e diz que a Condessa sequer sentirá falta das jóias que ele acaba de roubar. Mas as gemas farão muita diferença na vida das pessoas pobres que as receberão, descontada, claro, a parte de nosso herói. Fantomius fala de seu desprezo pelos esnobes da nobreza, que castiga com seus furtos, e Dolly confirma que sente o mesmo. Ela pergunta se irão se ver de novo, e o ladrão responde que sim, pois estão na mesma prisão. Depois ele se vai.

Nas semanas seguintes os jornais continuam a falar das façanhas de Fantomius, e entre as notícias lemos também que nasceram os gêmeos de Hortência Macpatinhas. Dolly lê o jornal certa manhã ainda pensando em Fantomius, e descarta um convite do financista Desquack para um jantar. Nesse momento chega Lucrécia, que chorando revela que perdeu a Raposa Vermelha, jóia de família dada como garantia de um empréstimo. Como não conseguiu pagar a tempo o agiota, o já mencionado Desquack, ficou com ela. Dolly então decide aceitar o convite do financista, e assim termina a primeira parte.

Naquela noite, no Castelo de Duckermensil, residência de Desquack, Dolly e John se rencontram, e ela fica revoltada ao ver que o agiota mantém a Raposa Vermelha sob uma cúpula de vidro. Diante das riquezas expostas o nome de Fantomius surge, e Desquack assegura que o Ladrão de Casaca nunca conseguiria realizar aquele roubo. O agiota fala de um túnel subterrâneo não descoberto sob o castelo, e é novamente mencionado o Duque Doido, Richard Quackett, que visitou a propriedade.


De madrugada Fantomius invade o castelo pela passagem secreta, mas descobre que a Raposa Vermelha foi levada e ouve passos. Ele se esconde, mas é descoberto... por Dolly Pata! Nossa aristocrata preferida alude à fala dele, que por duas vezes disse que estão na mesma prisão, e diz que estão com problema já que o ladrão também quer a jóia. Mas Fantomius diz que a roubaria para dá-la a ela, e Dolly agradece e explica que se escondeu quando todos saíram, aguardando a vinda do Ladrão de Casaca para escapar.

Diante da pista dada pelo próprio Desquack, John descobriu a entrada do túnel sob o castelo, dando precisamente na passagem secreta da biblioteca onde estão. Os dois fogem pelo túnel, e o cavalheiro oferece sua capa para proteger a dama do frio do lugar. Eles trocam seu primeiro beijo, e John convida Dolly para ser sua parceira.

Copérnico os aguarda de carro na saída do túnel, e entrega como o amigo falava muito da garota, sentindo-se atraído por ela. Rumo a Patópolis eles discutem o nome de guerra de Dolly, que quer algo ligado à jóia que os uniu, e John sugere algo inspirado no temperamento picante da amada. Noites depois Lucrécia recebe a visita de uma estranha figura escarlate, que lhe devolve a Raposa Vermelha, e diz que seu nome é Dolly Páprika!

Uma excelente história de origem, destacando sempre como Dolly Pata é uma garota muito a frente de seu tempo, decidida quanto ao que quer e inconformada com o papel subalterno que a sociedade da época lhe imputava. Além disso os anos de treinamento em balé moldaram seu físico e suas habilidades, tornando Dolly a parceira ideal para Fantomius, em aventuras sempre recheadas de muito romance.

Na próxima parte, apresentaremos as três últimas histórias de Fantomius publicadas pela Abril. Como já sabemos que a editora Culturama irá publicar somente histórias inéditas a partir de março, é de se esperar que mais três histórias produzidas por Marco Gervásio, ainda inéditas, possam em breve ser lidas em português. Falaremos delas em breve!

Não esqueçam de conferir Ducktales: O Implacável Vingador, roteiro de um possível episódio da série animada que introduz o Superpato nesse universo, clicando aqui!

Até a próxima!